Netanyahu surpreende de novo
Com 90% dos votos apurados, o partido do primeiro-ministro tem maioria
Contrariando amplamente as expectativas cultivadas por grande parte da imprensa alinhada às pautas de esquerda, que prenunciava sua derrota, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seus aliados aparecem a caminho de conquistar o maior número de cadeiras no Knesset após as eleições de terça-feira.
Os resultados parciais apontam para uma vitória inesperadamente sólida entre os eleitores judeus israelenses, consolidando a permanência de Netanyahu no poder, ao menos como chefe de um governo interino, embora nem ele nem seu principal rival, Gadi Eisenkot, tenham um caminho claro para a maioria absoluta.
Enquanto a Comissão Central de Eleições de Israel ainda contabilizava os votos nesta quarta-feira, com os números definitivos esperados apenas na quinta-feira, as pesquisas de boca de urna já indicavam a força relativa dos partidos.
A apuração inclui centenas de milhares de votos de soldados e diplomatas no exterior. No sistema político fragmentado do país, esses dados preliminares não são definitivos, mas já bastaram para frustrar as projeções de uma disputa acirrada e de uma possível queda de Netanyahu.
O bloco do premier conquistou apoio expressivo de uma maioria de judeus israelenses em uma eleição apresentada como ponto de virada histórico. Embora tenha perdido a estreita maioria que detinha no Parlamento de 120 cadeiras, seus oponentes restaram com poucas perspectivas reais de removê-lo do cargo.
O bloco de Eisenkot, que reúne partidos do centro-esquerda à extrema-direita unidos na oposição a Netanyahu, teve desempenho inferior ao previsto pelas pesquisas pré-eleitorais, tornando uma vitória sua cada vez mais improvável.
Partidos que representam israelenses de origem árabe, por sua vez, devem alcançar um número sem precedentes de 19 cadeiras, impulsionados por alta participação de eleitores motivados.
No entanto, a possibilidade de um acordo amplo com essas legendas, rejeitado por muitos líderes judeus, permanece remota, o que reforça a posição de Netanyahu. Os votos continuam sendo apurados e o processo deve ser seguido por negociações potencialmente longas para a formação de uma coalizão.
Caso as conversas fracassem, Israel poderá enfrentar uma nova rodada de eleições. Por ora, o que se destaca é o resultado que desafiou as previsões: Netanyahu, mais uma vez, saiu fortalecido das urnas.