França, Espanha e Argentina criam canais nos moldes do “Exército do Lula” de Janones
Ativistas da França, Espanha e Argentina adotam canais e tarefas digitais semelhantes aos organizados por André Janones no Brasil
A estratégia de mobilização digital do “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), ganhou versões fora do Brasil. Ativistas de esquerda na França, Espanha e Argentina passaram a organizar canais para divulgar conteúdos políticos, reunir apoiadores e coordenar ações nas redes sociais. Segundo reportagem do g1, o canal brasileiro ultrapassou 10 milhões de seguidores no WhatsApp.
Na França, simpatizantes do partido A França Insubmissa criaram a iniciativa independente “Les Soldats Insoumis”, ou “Soldados Insubmissos”. Até terça-feira (27), o canal reunia mais de 15 mil participantes no WhatsApp, além de manter presença no Telegram e em outras plataformas.
A repercussão levou o partido a lançar também um canal oficial ligado a Jean-Luc Mélenchon. Em vídeo, o deputado Antoine Léaument mencionou a experiência brasileira ao apresentar a proposta de mobilização. As ações incluem compartilhar publicações, impulsionar hashtags e convidar novos integrantes.
Na Espanha, apoiadores do primeiro-ministro Pedro Sánchez criaram o “La fuerza de la gente”. O espaço compartilha discursos, vídeos e imagens do líder socialista. Publicações com Lula e materiais sobre as chamadas “seis regras da estratégia digital de Janones” também circulam entre os ativistas.
Na Argentina, a inspiração aparece no próprio nome: “Ejército del Peronismo”. Ligada a apoiadores do kirchnerismo, a iniciativa divulga referências à campanha brasileira e distribui tarefas para ampliar sua comunidade digital. Segundo a Rádio França Internacional, o canal argentino já contabilizava mais de 32 mil seguidores na terça-feira.
A circulação do modelo, entretanto, exige adaptações. Ouvida pela RFI, a historiadora Silvia Capanema, professora da Universidade Sorbonne Paris Nord e integrante do partido francês, destacou que as necessidades políticas variam entre os países.
Na avaliação da pesquisadora, a esquerda francesa já possui presença expressiva nas redes e enfrenta dificuldades maiores nos meios tradicionais de comunicação. Ela também ressaltou que as ferramentas digitais mudam rapidamente, tornando necessária a renovação das estratégias. A experiência brasileira funciona como referência, mas sua reprodução não garante os mesmos resultados em outros contextos.