Israel decide futuro de Netanyahu em eleição apertada e com milhares de indecisos
Após três anos de guerras e tensões no Oriente Médio, cerca de 7,3 milhões de israelenses vão às urnas nesta terça-feira; pesquisas mostram disputa equilibrada e dificuldade para formar maioria no Parlamento
Israel realiza nesta terça-feira (27) uma das eleições mais importantes de sua história recente, com o futuro político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em jogo. Após três anos de conflitos regionais e forte desgaste internacional, aproximadamente 7,3 milhões de eleitores estão aptos a votar, em uma disputa marcada pelo equilíbrio entre os principais blocos políticos e por um número expressivo de indecisos.
As pesquisas indicam uma disputa apertada entre o bloco liderado por Netanyahu, do partido Likud, e a oposição comandada pelo ex-chefe militar Gadi Eisenkot. Entre 5% e 10% dos eleitores ainda não haviam definido seu voto na reta final, percentual capaz de alterar significativamente a composição do próximo governo.
Esta é a primeira eleição nacional desde os ataques do Hamas, em 7 de outubro de 2023, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza e uma série de confrontos envolvendo Israel, Líbano e Irã. A segurança nacional domina a campanha, mas também estão em discussão o desgaste diplomático do país, a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia e as relações com os Estados Unidos.
Como funciona a eleição em Israel
Diferentemente do Brasil, os israelenses não escolhem diretamente o primeiro-ministro. Os eleitores votam em partidos, que disputam as 120 cadeiras do Parlamento, conhecido como Knesset. Para formar governo, é necessário reunir uma coalizão com pelo menos 61 deputados.
Esse sistema torna o resultado especialmente complexo. Mesmo que o Likud conquiste o maior número de cadeiras, Netanyahu poderá perder o poder caso não consiga formar uma maioria parlamentar. As pesquisas sugerem que nenhum dos principais blocos alcançará sozinho os 61 assentos necessários, abrindo espaço para negociações que podem durar semanas ou até meses.
Outro fator decisivo será o desempenho dos partidos árabes, que representam uma parcela importante do eleitorado israelense. Em uma disputa tão fragmentada, essas legendas poderão desempenhar papel central nas negociações para a formação do próximo governo.
Netanyahu, que acumula aproximadamente 19 anos no comando do país em mandatos não consecutivos, enfrenta questionamentos sobre sua responsabilidade pelas falhas de segurança que antecederam os ataques de outubro de 2023. Seu principal adversário, Gadi Eisenkot, perdeu um filho e dois sobrinhos durante a guerra e defende uma investigação sobre os erros cometidos pelas autoridades israelenses.
A eleição também será observada de perto pela comunidade internacional, especialmente pelos Estados Unidos, onde Donald Trump mantém apoio político a Netanyahu. Mais do que decidir quem governará Israel, o resultado poderá redefinir os rumos da política israelense e sua atuação nos conflitos que continuam a marcar o Oriente Médio.