Fim das bets ameaça retirar até R$ 334 milhões do Flamengo e provoca crise financeira no futebol brasileiro
Levantamento aponta perdas de até 26% nas receitas de Flamengo, Corinthians e Palmeiras; clubes pressionam por mudanças na proibição das casas de apostas
A proibição das casas de apostas esportivas no Brasil pode provocar um rombo milionário nas finanças dos principais clubes do país. Um levantamento do economista Cesar Grafietti, divulgado pelo UOL nesta terça-feira (27), revela que Flamengo, Corinthians e Palmeiras estão entre os mais prejudicados, com perdas potenciais que chegam a um quarto de suas receitas recorrentes.
O Flamengo lidera a lista, com uma redução estimada de R$ 334,5 milhões, equivalente a 26% de sua receita. O clube, que contabilizava aproximadamente R$ 1,3 bilhão em receitas recorrentes, passaria a contar com R$ 967,2 milhões.
O Corinthians aparece em seguida, com perda projetada de R$ 198 milhões, ou 23% de sua arrecadação. Já o Palmeiras deixaria de receber R$ 163 milhões, uma redução de 22%. Os cálculos incluem contratos de patrocínio e publicidade ligados às empresas de apostas, considerando um cenário de proibição prolongada.
A crise atinge boa parte do Campeonato Brasileiro. Antes da proibição, 14 dos 20 clubes da Série A tinham casas de apostas como patrocinadoras principais, em contratos que somavam pelo menos R$ 910 milhões.
Clubes buscam alternativas e contestam proibição
A medida provisória que proibiu as bets entrou em vigor em 25 de setembro, mas ainda precisa ser analisada pelo Congresso Nacional. Caso a restrição seja encerrada em dezembro, as perdas estimadas para 2026 seriam menores, equivalentes a aproximadamente 6% das receitas anuais de Flamengo, Corinthians e Palmeiras.
Enquanto aguardam uma definição, os clubes procuram novos patrocinadores. Corinthians e Santos recorreram a acordos temporários, enquanto São Paulo e Fluminense passaram a utilizar marcas alternativas. O Flamengo levou a discussão ao Supremo Tribunal Federal (STF), contestando os efeitos da proibição.
Especialistas em marketing esportivo alertam que dificilmente outras empresas conseguirão substituir os valores oferecidos pelas casas de apostas, o que pode obrigar os clubes a rever investimentos e despesas.
A decisão, porém, também envolve um problema social de grandes proporções. Segundo dados do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões em apostas no ano passado.
O impasse coloca em lados opostos a preocupação com o endividamento da população e a dependência financeira que o futebol brasileiro desenvolveu em relação às bets. O futuro desses contratos agora depende dos desdobramentos da medida provisória no Congresso e das ações judiciais que questionam a proibição.