Bolsa despenca, dólar dispara e mercado reage com força à vitória de Lula
Ibovespa perde mais de 17% durante a manhã desta segunda-feira; tensão também atinge os juros e leva o Tesouro a cancelar leilões
A segunda-feira (26) começou com um susto no mercado financeiro. No primeiro pregão após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a Bolsa brasileira despencou, o dólar disparou e os juros futuros subiram com força. Investidores que apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro (PL) passaram a rever suas posições.
Às 11h25, o Ibovespa, principal índice da Bolsa, caía 17,15%, aos 169.893 pontos. No mesmo horário, o dólar comercial subia 10,26%, cotado a R$ 5,498. Antes disso, a moeda americana havia chegado a R$ 5,604, uma alta de 12,37%. Os números são parciais e ainda podem mudar durante o dia.
A queda foi tão intensa que a B3 acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em momentos de forte turbulência. A primeira pausa acontece quando o Ibovespa recua 10% e dura 30 minutos. É uma espécie de freio para dar tempo ao mercado de respirar e reavaliar decisões.
Por trás da reação está uma mudança de expectativas. Parte dos investidores associava uma eventual gestão de Flávio a um controle mais rigoroso dos gastos públicos. Com a vitória de Lula, cresceram as preocupações sobre o equilíbrio das contas e o caminho da dívida brasileira.
Nos juros futuros, que refletem expectativas e riscos para os próximos anos, o movimento também foi expressivo. O contrato com vencimento em janeiro de 2031 chegou a marcar 15,72% ao ano. Isso não significa que o Banco Central tenha aumentado a Selic nesta segunda-feira: são taxas negociadas no mercado, que podem mudar antes de qualquer decisão oficial.
A turbulência levou o Tesouro Nacional a cancelar os leilões de títulos prefixados e ligados à inflação previstos para esta semana. O leilão de papéis vinculados à Selic foi mantido.
Mesmo quem não investe em ações pode sentir os efeitos se a pressão continuar. Um dólar mais caro pode encarecer produtos importados e insumos usados pela indústria. Juros elevados, por sua vez, podem dificultar o crédito, os financiamentos e os investimentos das empresas.
Agora, a atenção se volta aos sinais sobre a equipe econômica e às medidas para as contas públicas. A reação desta manhã mostra o tamanho da preocupação dos investidores; os próximos anúncios ajudarão a definir se a tensão perde força ou continua nos próximos pregões.