Lula e Flávio fecham acordo sobre sigilos, mas divulgação ainda tem impasses
Compromisso prevê abertura simultânea de dados dos candidatos, familiares e empresas; Mendonça afirma que publicação pode ocorrer sem autorização do TSE
As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) formalizaram nesta quinta-feira (22) um acordo para divulgar informações protegidas por sigilos bancário, fiscal e telefônico. O compromisso inclui familiares e empresas associadas e prevê publicação simultânea em uma página de acesso público. A assinatura, porém, não significa que os documentos já estejam disponíveis para consulta.
O material poderá permitir o exame de movimentações financeiras, extratos, declarações de Imposto de Renda e históricos de ligações. No início da noite, o ministro André Mendonça afirmou que os próprios titulares podem obter e divulgar essas informações, sem depender de autorização do Tribunal Superior Eleitoral. Com isso, afastou a Corte da função de intermediar o desafio entre os presidenciáveis.
O documento foi assinado digitalmente por Lula e pela advogada Maria Claudia Bucchianeri, representante de Flávio. As campanhas estabeleceram prazo até as 23h59 desta quinta-feira para entregar procurações pendentes de terceiros. Esse prazo se refere às autorizações, não à garantia de que todos os dados estarão publicados no mesmo horário.
Um dos pontos de atrito envolve a Alcazar Holding, ligada ao advogado Willer Tomaz. Segundo a campanha petista, a inclusão da empresa atrasou o entendimento. Já os representantes de Flávio anunciaram que pretendiam verificar se o material apresentado por Lula atendia integralmente às condições exigidas antes de entregar os dados do senador.
As exigências do candidato do PL incluíram informações sobre Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, além de gastos do cartão corporativo da Presidência e da agenda de Janja anterior a fevereiro de 2025. A campanha petista afirmou ter aceitado as condições apresentadas pelo adversário.
A disputa começou no debate da Band, no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a abrir os sigilos. Após pedidos e contrapropostas, o confronto desembocou no compromisso conjunto a três dias da votação. Agora, a questão central é quais documentos serão efetivamente apresentados e quando o eleitor terá acesso a eles.
Mendonça também destacou que a divulgação voluntária não substitui investigações oficiais. A análise de contas pessoais, observou, pode não alcançar recursos eventualmente movimentados por terceiros. O acordo amplia a promessa de transparência, mas seu alcance dependerá do conteúdo que chegar ao público.