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A revolta que saiu das escolas e colocou Macron sob pressão

18/10/2026 - 13:17

Protestos contra o custo de vida ganham força na França e terminam em confrontos. Macron anunciou um pronunciamento para a noite deste domingo. 


A revolta que saiu das escolas e colocou Macron sob pressão

A insatisfação com as condições das escolas francesas se transformou em uma mobilização nacional contra o custo de vida e a deterioração dos serviços públicos. Neste domingo (18), a França contabilizava cerca de 1.800 detenções após os protestos de sábado, com incêndios, saques e confrontos em diferentes cidades. Segundo o ministro do Interior, mais de 500 policiais ficaram feridos. Em Paris, uma pessoa morreu após sofrer uma parada cardíaca durante as manifestações.


O movimento começou em setembro, com estudantes denunciando instalações precárias e falta de professores, sobretudo em bairros populares. A reivindicação por melhores condições de ensino passou a reunir demandas contra a desigualdade e os cortes de gastos públicos. O alvo político é o governo do presidente Emmanuel Macron e do primeiro-ministro Sébastien Lecornu, pressionado a responder tanto às necessidades das escolas quanto à perda de poder de compra da população.


A precariedade tem exemplos concretos: no liceu Paul Éluard, em Saint-Denis, funcionários e alunos relatam problemas nas instalações e até infestação de ratos. A escola recebeu, na terça-feira (13), a ativista Greta Thunberg, que apoiou os estudantes. A reação policial também alimentou a indignação: depois que um adolescente de 15 anos perdeu uma mão, o ministro do Interior suspendeu o uso de determinado tipo de granada de efeito moral contra os jovens manifestantes.


A ampliação dos atos veio da aproximação entre estudantes, trabalhadores, sindicatos, setores da esquerda e participantes ligados aos coletes amarelos. Convocações pelas redes sociais ajudaram a reunir essas diferentes insatisfações. A proposta era transformar reivindicações dispersas em pressão conjunta sobre o governo, sem que isso significasse a existência de uma única liderança ou de uma pauta inteiramente uniforme.


No sábado, o Ministério do Interior estimou 550 mil participantes em 110 marchas; os organizadores, entre eles a central sindical CGT e entidades estudantis, falaram em 800 mil. Embora a maioria dos atos tenha sido pacífica, grupos entraram em confronto com a polícia, lançaram objetos e atacaram estabelecimentos. As forças de segurança responderam com gás lacrimogêneo e canhões de água. O governo atribuiu parte da violência a grupos radicais de extrema esquerda e a pessoas que aproveitaram os tumultos para saquear. Essa atribuição não descreve o conjunto dos manifestantes.


Entre os episódios mais graves estão o incêndio na prefeitura histórica de Limoges e a destruição do escritório de turismo da praça Bellecour, em Lyon. Também houve invasões de edifícios públicos e depredações em outras cidades. As imagens desses ataques acabaram dominando a repercussão de uma jornada que reuniu centenas de milhares de pessoas em marchas majoritariamente tranquilas, criando uma disputa política entre a discussão das reivindicações e a cobrança por segurança.


Macron anunciou um pronunciamento para a noite deste domingo. Enquanto o governo enfrenta cobranças, Jean-Luc Mélenchon, liderança da esquerda, condenou os saques e acusou o Executivo de agravar a crise. Donald Trump também interveio, atribuindo a violência à imigração, associação que não foi estabelecida pelas autoridades francesas.