Novo ataque a aeroporto da Arábia Saudita neste domingo faz Trump entrar na ofensiva contra os houthis
Ataque de sábado matou 12 pessoas e feriu 309; novo impacto no domingo agrava crise que já interrompe voos, altera aulas e pressiona a defesa saudita
A sequência de ataques ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, colocou a Arábia Saudita sob pressão militar e provocou uma reação dos Estados Unidos: Donald Trump admitiu que pode participar da ofensiva saudita contra os houthis, grupo armado do Iêmen apoiado pelo Irã. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, confirmou a morte de um cidadão dos Estados Unidos e exigiu o fim dos ataques.
A crise envolve dois episódios distintos. No sábado (10), um míssil atingiu o complexo dos terminais domésticos 3 e 4, deixando 12 mortos e 309 feridos, alguns em estado crítico. Neste domingo (11), com o aeroporto ainda fechado, a coalizão liderada pelos sauditas anunciou um novo impacto de projétil na área de passageiros. Não havia balanço de novas vítimas desse segundo episódio nas informações consultadas.
No ataque de sábado, morreram quatro sauditas, dois cidadãos de Bangladesh e uma pessoa de cada um destes países ou territórios: Estados Unidos, Egito, Jordânia, Síria, Palestina e Sudão. Passageiros descreveram uma explosão, feridos caídos no terminal e o desabamento de parte do teto perto de um portão de embarque. Ambulâncias e helicópteros transportaram vítimas para hospitais.
Segundo a Reuters, foi o ataque mais letal em território saudita em mais de uma década. A coalizão responsabilizou os houthis, classificou a ofensiva contra civis como crime de guerra e prometeu uma resposta firme. O grupo havia assumido ataques anteriores ao aeroporto, mas não reivindicara formalmente a ação de sábado.
A nova ocorrência de domingo aprofundou a insegurança mesmo depois da suspensão dos voos. Naquele dia, os houthis renovaram o alerta para que companhias aéreas, trabalhadores e passageiros evitassem aeroportos sauditas e ameaçaram intensificar suas ações caso Riad mantivesse as operações militares no Iêmen.
Também no domingo, a televisão Al Masirah, controlada pelo grupo, relatou um ataque contra o Aeroporto Internacional de Sanaa, capital iemenita, atribuindo-o à Arábia Saudita. Não havia manifestação imediata do governo saudita nem informações detalhadas sobre vítimas e danos.
As declarações de Trump indicam que a escalada pode ganhar uma participação militar americana mais direta. Questionado sobre a possibilidade de os Estados Unidos se juntarem aos ataques sauditas, o presidente respondeu:
“Podemos. Vamos analisar.”
Perguntado sobre o prazo para uma decisão, acrescentou:
“Acabamos de saber do ataque recente, então vamos tomar uma decisão. Agimos muito rapidamente.”
Mais tarde, Trump afirmou que conversaria com o príncipe-herdeiro Mohammed bin Salman e declarou:
“O que aconteceu na Arábia Saudita não é aceitável.”
As falas abriram a possibilidade de intervenção nessa ofensiva, mas não constituíam um anúncio de que a decisão já havia sido tomada.
Marco Rubio, por sua vez, confirmou que um americano estava entre os mortos e publicou uma condenação aos ataques. Em tradução do inglês, afirmou:
“Esses ataques repreensíveis demonstram um flagrante desrespeito pela vida de civis inocentes. Eles devem parar agora.”
O secretário de Estado também manifestou apoio ao país:
“Estamos ao lado do Reino da Arábia Saudita e de seu povo e expressamos nossas condolências às vítimas e suas famílias.”
A reação internacional revelou preocupação com consequências além do território saudita. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou:
“Esses ataques de aliados do Irã estão empurrando a região para uma espiral de violência.”
Para a Arábia Saudita, os efeitos da guerra já atingem a vida cotidiana. O fechamento do aeroporto interrompe conexões internacionais, obriga companhias a cancelar viagens e dificulta a circulação de passageiros. Escolas de Riad passaram ao ensino remoto. A instabilidade também ameaça a confiança necessária para receber turistas, investidores e grandes eventos internacionais.
A pressão se estende à capacidade de defesa. Segundo autoridades regionais ouvidas pela Associated Press, os estoques sauditas de interceptadores de mísseis estão reduzidos, e o reino procurou apoio externo para reforçar sua proteção aérea. A repetição de ataques aumenta o desgaste de um sistema que precisa proteger cidades e instalações estratégicas enquanto o país sustenta operações no Iêmen.
O confronto tem raízes na intervenção saudita de 2015, em apoio ao governo iemenita reconhecido internacionalmente. A relativa calmaria posterior à trégua de 2022 se desfez, e a disputa voltou a alcançar rotas estratégicas próximas ao Mar Vermelho.
Os acontecimentos recentes abrem dois riscos principais para o desenrolar da guerra. Uma resposta saudita mais intensa pode provocar novos ataques contra sua infraestrutura. Uma entrada direta dos Estados Unidos nessa ofensiva pode estimular os houthis a ampliar ameaças à navegação em Bab el-Mandeb, passagem entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden, com possíveis efeitos sobre transporte de mercadorias, seguros e energia.
O dilema saudita se tornou mais difícil: conter os ataques e demonstrar capacidade de resposta sem prolongar um conflito cujos custos já são sentidos nos aeroportos, nas escolas e na segurança da população.