Vorcaro cita R$ 30 milhões para filme de Lula; novas revelações ampliam pressão sobre o poder
Noticiário desta sexta reúne acusações envolvendo petistas, negócios com familiares de políticos e disputa por imóveis de R$ 843 milhões nos Estados Unidos
Daniel Vorcaro voltou ao centro do debate político nesta sexta-feira (9). Segundo reportagem da Veja, o ex-controlador do Banco Master afirmou ter destinado cerca de R$ 30 milhões em espécie a um documentário sobre Lula e negociado outros repasses ao Instituto Lula para facilitar negócios com fundos de pensão. O presidente nega ter solicitado ou recebido vantagens.
No relato publicado, Vorcaro cita João Vaccari Neto, Alexandre Padilha e Olavo Noleto e descreve uma suposta cobrança de 10% sobre recursos captados. A revista informa, porém, que a tentativa de obter investimentos dos fundos federais não se concretizou.
As acusações integraram uma proposta de delação que não avançou. Segundo a Veja, a PGR considerou insuficientes as provas; a defesa do banqueiro alegou possuir mensagens e registros para sustentá-las. Padilha negou relação com Vorcaro, e Noleto negou vínculo e recebimento de recursos. Os demais citados não haviam respondido à revista até o fechamento. São alegações do investigado, não conclusões judiciais.
Outra reportagem publicada hoje, pela Folha de S.Paulo, mostra negócios de Vorcaro com pessoas próximas aos senadores Otto Alencar e Jaques Wagner. Entre eles está o financiamento da Ecoari, startup de reciclagem de Isadora Alencar, filha de Otto. Documentos apontam alertas ao Coaf sobre ativos mantidos no Master considerados incompatíveis com o porte da empresa, incluindo valores superiores a R$ 9 milhões.
Isadora afirmou que os recursos decorreram de um empréstimo regular. A reportagem também relata negociações de obras de arte com Guilherme “Guiga” Sodré, apontado pela PF como aliado de Wagner. Otto negou ter encontrado Vorcaro, e Wagner negou envolvimento com o banqueiro. Os alertas financeiros e as relações descritas não comprovam, isoladamente, a prática de crime.
Enquanto as conexões políticas ganham novos capítulos, a recuperação do patrimônio do Master avança para os Estados Unidos. Em ação noticiada na noite de quinta-feira (8), o liquidante do banco pediu à Justiça americana a recuperação de três imóveis comprados por mais de US$ 168 milhões, aproximadamente R$ 843 milhões: dois em Miami e um em Aspen.
A petição sustenta que as propriedades foram adquiridas com dinheiro desviado do Master, transferido por uma cadeia de empresas e fundos no Brasil e em paraísos fiscais. O pedido inclui impedir a venda dos bens e nomear um administrador judicial. Trata-se de uma solicitação à Justiça, não de apreensão já executada. A defesa de Vorcaro não havia respondido à Folha.
O contraste aparece no andamento da investigação brasileira. Segundo a CNN, o caso completa hoje três meses sem novas operações de busca e apreensão da Polícia Federal. A última ocorreu em 9 de julho. A reportagem relaciona a mudança de ritmo à crise no STF e à indefinição sobre a relatoria das apurações.
A ausência de novas operações não significa que todos os trabalhos tenham cessado. Mas, diante de relatos sobre pagamentos, intermediários e patrimônio no exterior, aumenta a cobrança por respostas verificáveis: quais acusações têm sustentação documental, quem recebeu recursos e quanto poderá ser recuperado para os credores do banco.