Campanha de Flávio orienta abstenção sobre fim da escala 6×1 para evitar desgaste eleitoral
Segundo o Metrópoles, senadores também foram aconselhados a evitar discursos contra a proposta, que reduz a jornada e garante dois dias de descanso
A discussão sobre o fim da escala 6×1 colocou a oposição diante de um dilema eleitoral. Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles nesta quinta-feira (8), a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) orientou senadores aliados a se absterem em uma eventual votação da proposta, para evitar desgaste na disputa presidencial contra Lula (PT). A recomendação também inclui não fazer pronunciamentos públicos contrários ao texto.
A estratégia foi adotada diante da disposição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de dar continuidade à tramitação. Conforme a reportagem, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) tentou negociar uma interrupção do avanço da pauta em reunião na quarta-feira (7), mas não houve acordo.
O governo, por sua vez, articula um calendário especial para acelerar a análise e realizar a votação antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. A iniciativa busca abreviar etapas regimentais, enquanto aliados de Flávio defendem o cumprimento dos prazos e tentam deixar a decisão para depois das eleições.
A proposta prevê reduzir o limite semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, e assegurar dois dias de descanso remunerado, um deles preferencialmente aos domingos. A transição seria gradual: primeiro para 42 horas, dois meses após a promulgação, e depois para 40 horas, um ano mais tarde.
Publicamente, o coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), havia afirmado na quarta-feira que a oposição ainda não tinha posição definida sobre a PEC. Ele defendeu maior flexibilidade nas jornadas e criticou o momento escolhido pelo governo para impulsionar a discussão.