tera, 18 de agosto de 2026 • Natal / RN
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CRÔNICAS

Empresas em debandada

17/08/2026 - 16:28
Empresas em debandada

Olha só que momento interessante para a gente estar vivendo. Enquanto o Brasil já começa a esquentar o clima de eleições gerais e a sucessão presidencial, aquele afamado período em que todo mundo vira especialista em soberania, “não vamos baixar a cabeça” e promessas de protecionismo com discurso inflamado, a tensão comercial com os EUA sobe de tom e as empresas brasileiras se veem diante de uma escolha bem menos patriótica: continuar tentando exportar daqui ou simplesmente instalar a fábrica lá mesmo, em território americano.

No último dia 13, o governo Lula abriu formalmente o processo da Lei da Reciprocidade Econômica, aquele mecanismo que o Planalto acha que pode resultar em contramedidas às novas tarifas impostas pela Casa Branca.

Em outras palavras: depois que as barreiras americanas entraram em vigor, Brasília respondeu com o clássico “se você me taxar, eu também taxo”. Resultado imediato? Mais incerteza para quem depende do mercado americano. Cerca de 5,6 mil empresas brasileiras, espalhadas por dezenas de setores, já sentem o impacto.

O governo, claro, não ficou parado. Lançou um pacote para ajudar as companhias a caçar mercados alternativos: promoção comercial em 36 destinos diferentes dos EUA, com a ApexBrasil pronta para apoiar uns 5,3 mil empresas de 35 setores.

Uma bela estratégia de diversificação… Enquanto, do outro lado do Atlântico, o dinheiro continua fluindo para os EUA como se nada estivesse acontecendo.

Os números mais recentes do Bureau of Economic Analysis (divulgados em junho de 2026) mostram que, em 2025, investidores estrangeiros despejaram US$ 232,2 bilhões em aquisições, criações ou expansões de empresas nos EUA, um salto de 49,5% em relação a 2024.

E nos primeiros três meses de 2026 já foram 485 projetos anunciados, somando US$ 73,2 bilhões. O próprio governo Trump segue atraindo capital estrangeiro com o SelectUSA, aquele programa do Departamento de Comércio feito sob medida para facilitar a vida de quem quer produzir lá dentro.
E as brasileiras? Já estão bem acomodadas: quase US$ 40 bilhões investidos em solo americano e mais de 100 mil empregos gerados por lá. Ou seja, enquanto por aqui a gente discute sucessão presidencial e discursos de autossuficiência, parte do empresariado brasileiro parece estar fazendo as contas e concluindo que, às vezes, a melhor forma de enfrentar a barreira comercial… é simplesmente atravessá-la.