Datafolha revela os grupos que sustentam Lula e Flávio na reta final
Presidente encontra mais apoio entre mulheres, idosos e eleitores de baixa renda; senador tem seus melhores resultados entre evangélicos, sulistas e famílias com renda mais alta
Olhar apenas para os 42% de Lula e os 38% de Flávio Bolsonaro deixa escapar uma parte interessante da eleição. Quando a gente abre a pesquisa por grupos, aquela diferença nacional de quatro pontos dá lugar a disputas bem diferentes. Dependendo da renda, da religião ou da região, o cenário muda bastante.
O Datafolha divulgado na quinta-feira, 1º de outubro, mostra os dois candidatos oscilando dois pontos para cima em relação à rodada anterior. A distância entre eles permaneceu igual, no limite do empate técnico considerando a margem nacional. Mas, por baixo desse placar, há movimentos que merecem atenção.
Um dos mais expressivos aparece entre os eleitores com 60 anos ou mais: Lula passou de 42% para 49%. No Sudeste, saiu de 35% para 40%. Já Flávio foi de 40% para 47% entre famílias com renda de mais de dois a cinco salários mínimos. São variações numéricas entre levantamentos; para avaliar sua precisão, é necessário considerar as margens específicas de cada grupo.
Na religião, a divisão é especialmente nítida. Lula tem metade das intenções de voto dos católicos: 50%, contra 32% de Flávio. Entre evangélicos, a situação se inverte: o senador chega a 52%, enquanto o presidente fica com 26%. Nesse grupo, portanto, Flávio registra o dobro do percentual do adversário.
Para enxergar o desenho completo dos principais recortes, veja os percentuais de primeiro turno. São intenções de voto dentro de cada segmento, e não a composição do eleitorado de cada candidato.
| Grupo | Lula | Flávio Bolsonaro |
|---|---|---|
| Mulheres | 45% | 35% |
| Homens | 40% | 40% |
| 16 a 24 anos | 41% | 34% |
| 25 a 34 anos | 39% | 40% |
| 35 a 44 anos | 40% | 40% |
| 45 a 59 anos | 40% | 38% |
| 60 anos ou mais | 49% | 36% |
| Renda familiar de até 2 salários mínimos | 50% | 28% |
| Mais de 2 a 5 salários mínimos | 34% | 47% |
| Acima de 5 salários mínimos | 37% | 47% |
| Ensino fundamental | 54% | 27% |
| Ensino médio | 39% | 42% |
| Ensino superior | 36% | 43% |
| Pretos | 53% | 27% |
| Pardos | 44% | 36% |
| Brancos | 36% | 45% |
| Nordeste | 56% | 26% |
| Sul | 30% | 50% |
| Sudeste | 40% | 39% |
| Centro-Oeste e Norte, agrupados | 35% | 43% |
| Regiões metropolitanas | 43% | 35% |
| Interior | 42% | 39% |
Entre as faixas etárias, só a vantagem de Lula nos maiores de 60 anos fica fora do empate técnico. Também há empate técnico no ensino médio, no superior, no Sudeste, no agrupamento Centro-Oeste/Norte e no interior.
O contraste entre Nordeste e Sul chama atenção logo de cara. Para as campanhas, a leitura é clara: conquistar alguns pontos onde o adversário é forte pode ser tão importante quanto ampliar a vantagem entre quem já está mais próximo. E um empate no conjunto do país pode esconder diferenças enormes entre seus pedaços.
Também vale evitar uma armadilha: esses grupos se cruzam. Uma mesma entrevistada pode ser mulher, católica, nordestina e aposentada. Não dá para somar os recortes como se fossem quatro eleitorados separados, nem concluir que todas as pessoas de um grupo votam da mesma maneira.
E ainda existe espaço para mudança. Na mesma rodada, 82% disseram estar decididos sobre o voto, enquanto 17% admitiram que poderiam trocar de candidato. Em uma disputa apertada, esse contingente mantém as campanhas trabalhando até o fim.
O levantamento foi encomendado pela TV Globo e pela Folha de S.Paulo e entrevistou 2.506 eleitores, de 29 de setembro a 1º de outubro. A margem nacional é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral é BR-08039/2026.