Globo cancela debate presidencial após desistência de Flávio Bolsonaro e ausência de Lula
Encontro seria o último antes da votação de domingo; cancelamento ocorre em meio a decisões judiciais que alteraram as regras e a lista de participantes
A três dias do primeiro turno, o último debate presidencial previsto antes da votação saiu da programação. A TV Globo cancelou, na noite desta quinta-feira (1º), o encontro que começaria às 21h30. A decisão veio depois da desistência de Flávio Bolsonaro (PL), da ausência já anunciada de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de intervenções judiciais que mudaram a organização do programa.
O desfecho encerrou um dia de reviravoltas. Até poucas horas antes da transmissão, a emissora preparava o confronto entre os presidenciáveis. Com o cancelamento, os eleitores perdem uma oportunidade de acompanhar perguntas, respostas e cobranças diretas entre os candidatos na reta final da campanha.
Flávio anunciou sua desistência nas redes sociais e atribuiu a decisão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE”, escreveu. A classificação de censura foi feita pelo candidato.
A reação ocorreu após a ministra Estela Aranha suspender a regra que previa destaque ao púlpito de candidatos ausentes e permitia perguntas dirigidas a eles. A decisão atingia diretamente a dinâmica preparada para a ausência de Lula. Em sua análise preliminar, a ministra considerou que o mecanismo poderia desequilibrar a disputa e funcionar como pressão para obrigar o comparecimento.
A desistência de Flávio também marcou uma mudança em relação ao discurso adotado no domingo anterior. Durante agenda de campanha, ele havia confirmado presença, desafiado Lula a comparecer e afirmado que participaria mesmo sem o adversário.
Lula, por sua vez, já havia comunicado à emissora que não iria ao encontro. O presidente e candidato à reeleição programou uma entrevista ao Flow Podcast para a mesma noite. Sua campanha avaliava que o debate o colocaria como alvo de ataques dos demais concorrentes.
Outra alteração de última hora partiu do Supremo Tribunal Federal (STF): o ministro Gilmar Mendes determinou a inclusão de Renan Santos, do partido Missão. Com as ausências dos dois principais adversários, o encontro reuniria Renan, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury.
O debate da Globo seria o último confronto televisivo entre os presidenciáveis antes do primeiro turno, marcado para domingo, 4 de outubro. A disputa que poderia colocar propostas e contradições frente a frente terminou dominada por ausências, contestações judiciais e estratégias de campanha.