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POLÍTICA

Lula troca último debate da Globo pelo Flow e equipe estuda reação em tempo real aos adversários

01/10/2026 - 11:33

Presidente comunicou à emissora que ficará fora do último confronto antes do primeiro turno; campanha avalia formato em que Lula acompanhe o debate pelo podcast e responda imediatamente às críticas feitas no estúdio


Lula troca último debate da Globo pelo Flow e equipe estuda reação em tempo real aos adversários

A TV Globo realiza nesta quinta-feira (1º) o último debate entre os candidatos à Presidência antes do primeiro turno das eleições, marcado para domingo, 4 de outubro. O programa começa às 21h30, depois do Jornal Nacional, com mediação de César Tralli. Estão confirmados Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo).


Luiz Inácio Lula da Silva (PT), porém, decidiu não participar. A decisão foi tomada na terça-feira (29) e comunicada oficialmente à Globo pela campanha na quarta-feira (30). Segundo apurações de UOL, Folha e SBT News, pesou na escolha a avaliação de aliados de que o presidente poderia se transformar no principal alvo dos adversários a poucos dias da votação.


Lula teria manifestado a aliados incômodo com a perspectiva de entrar em um debate cercado por candidatos adversários. A campanha também avaliou que a dinâmica do programa poderia dificultar respostas imediatas a sucessivas críticas, já que o tempo de fala é dividido entre vários participantes.


A decisão não foi consensual dentro do campo governista. Parte dos aliados defendia a presença de Lula no último e mais tradicional debate da campanha, justamente pela audiência e pela proximidade da eleição. A avaliação que prevaleceu, no entanto, foi de que a exposição poderia representar um risco maior do que o possível benefício.


Em vez da Globo, Lula participará de uma entrevista ao Flow Podcast. A transmissão está prevista para começar às 20h45, cerca de 45 minutos antes do debate, e poderá avançar sobre o horário do confronto televisivo.


Flow pode virar um “contradebate”

A estratégia ganhou um componente ainda mais incomum. Segundo o SBT News, a equipe de Lula passou a negociar com o Podcast Flow um formato em que o presidente possa acompanhar o debate da Globo durante a própria entrevista e reagir em tempo real às declarações dos candidatos.


A ideia discutida é permitir que Lula responda imediatamente caso seja citado, criticado ou atacado pelos adversários. Dessa forma, mesmo ausente do estúdio, o petista poderia rebater pela internet falas feitas durante o debate.


O formato ainda estava em negociação e, portanto, não deve ser tratado como definitivamente confirmado. O que já está acertado é a participação de Lula no Flow. A discussão envolve exatamente como funcionaria a eventual transmissão simultânea das reações ao debate.


Se o modelo for adotado, a noite produzirá duas transmissões políticas paralelas: quatro candidatos discutindo frente a frente na Globo e Lula acompanhando parte desse confronto pela internet, com possibilidade de responder às críticas quase imediatamente.


Cadeira vazia também entra na estratégia dos adversários

A ausência de Lula não impedirá que seu nome apareça no debate. Pelas regras definidas para o programa, o espaço reservado ao candidato ausente poderá permanecer identificado, e os demais participantes poderão fazer referências ao presidente.


A campanha de Flávio Bolsonaro confirmou que ele estará no debate mesmo sem Lula. Segundo o SBT News, sua equipe também discutiu maneiras de explorar politicamente a ausência do petista e a cadeira vazia no estúdio.


Com a decisão desta semana, Lula chegará à votação de domingo sem ter participado de nenhum debate entre presidenciáveis no primeiro turno de 2026. A estratégia já havia sido utilizada anteriormente: no dia do debate promovido pela Band, o presidente preferiu conceder uma entrevista individual à Record.


O episódio tem ainda um precedente curioso na própria trajetória política de Lula. Em 2006, quando disputava a reeleição, ele também decidiu não comparecer aos debates do primeiro turno. A eleição acabou indo para uma segunda etapa e, então, Lula mudou de estratégia e participou dos confrontos contra Geraldo Alckmin.


A diferença em 2026 é a força das plataformas digitais. Vinte anos depois, a ausência física em um estúdio de televisão não significa necessariamente silêncio. Caso a negociação com o Flow avance como planejado, Lula poderá transformar a entrevista em uma espécie de transmissão paralela ao último debate da campanha, acompanhando os ataques e respondendo aos adversários fora da televisão tradicional.


A ausência de Lula também passou a ser explorada pelos adversários e gerou preocupação dentro do próprio campo governista. A crítica central é que, ao faltar ao último debate antes da votação, o presidente abre espaço para que os rivais afirmem que ele evitou prestar contas diretamente ao eleitorado e fugiu do confronto político. Interlocutores da campanha ouvidos pela CNN reconhecem o risco de a cadeira vazia se transformar em símbolo negativo e de Lula ser chamado de “fujão” durante o programa.