Robério deixa disputa pelo governo do RN e PSOL anuncia apoio a Cadu a quatro dias da eleição
Retirada teve aval do próprio candidato e apenas um voto contrário, segundo relato da reunião; Sandro Pimentel e Sônia Godeiro continuam na disputa pelo Senado
A quatro dias da votação, o PSOL decidiu retirar a candidatura de Robério Paulino ao Governo do Rio Grande do Norte e apoiar Cadu de Lula (PT). A mudança foi aprovada por ampla maioria pelo diretório estadual na noite desta quarta-feira (30), em reunião que contou com a participação e a concordância do próprio Robério.
Segundo o relato de um integrante da reunião, apenas um militante ligado ao grupo de Sônia Godeiro votou contra a retirada. Os demais grupos, incluindo os de Sandro Pimentel e do próprio Robério, foram favoráveis. O placar exato da votação, porém, não foi informado.
A mudança se restringe à disputa pelo governo estadual. As candidaturas de Sandro Pimentel e Sônia Godeiro ao Senado Federal seguem mantidas pelo PSOL.
Três fatores pesaram na decisão: o alinhamento nacional do partido à reeleição do presidente Lula, a tentativa de ajudar Cadu a chegar a um segundo turno contra Allyson Bezerra (União Brasil) e o baixo desempenho de Robério nas pesquisas.
Na Quaest divulgada em 25 de setembro, Robério não pontuou. No levantamento anterior, de 24 de agosto, havia registrado 2%. A rodada mais recente ouviu 804 eleitores entre 21 e 24 de setembro, tem margem de erro de três pontos percentuais e confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral é RN-01492/2026.
A adesão antecipa um movimento que Robério, até dois dias antes, reservava para uma eventual segunda etapa da eleição. Em sabatina realizada na segunda-feira (28), ele já havia assegurado apoio a Cadu caso o petista enfrentasse Allyson no segundo turno.
Naquela ocasião, porém, o professor fez questão de marcar diferenças. Embora manifestasse respeito pelo adversário, avaliou que Cadu tinha uma visão excessivamente gerencial da administração pública e menor ênfase social do que a defendida por sua candidatura. Também questionou a aposta em data centers como solução para o desenvolvimento estadual, cobrando atenção ao consumo de água, aos impactos ambientais e à geração de empregos.
A decisão desta quarta-feira também reverte o caminho anunciado pelo PSOL em julho. Naquele momento, a legenda havia encerrado as negociações para integrar o palanque petista, definido sua chapa própria e reafirmado a autonomia para disputar o governo, apesar do apoio nacional a Lula.
O contraste revela o tamanho da mudança na reta final: depois de defender uma alternativa própria à esquerda, o partido passa a apoiar a candidatura que antes enfrentava, mas preserva seus nomes ao Senado. Para Cadu, a adesão abre espaço para buscar os eleitores de Robério e reforçar o discurso de união desse campo político antes da votação de domingo, 4 de outubro.