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ESPORTES

Clubes discutem paralisação do Brasileirão após proibição das bets pelo governo Lula

29/09/2026 - 21:36

Dirigentes querem prazo de transição para reorganizar receitas; patrocínios das casas de apostas movimentaram R$ 1,03 bilhão na Série A em 2025


Clubes discutem paralisação do Brasileirão após proibição das bets pelo governo Lula

Dirigentes de clubes da elite do futebol brasileiro discutem a possibilidade de paralisar o Campeonato Brasileiro como forma de pressionar o governo federal após a proibição das casas de apostas. A interrupção está entre as alternativas debatidas nos bastidores, mas ainda não há decisão anunciada nem data para um eventual protesto.


Os clubes reivindicam um período de transição, alegando que a perda repentina dos patrocínios compromete os orçamentos de 2026 e obrigações assumidas para 2027. A mobilização também busca uma atuação mais incisiva da CBF nas negociações.


A reação ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editar, na sexta-feira (25), a medida provisória que proíbe a operação e a publicidade das bets no Brasil. O governo defende a iniciativa como resposta ao endividamento das famílias e aos problemas associados à dependência de jogos.


O peso dessas empresas no futebol cresceu rapidamente. Segundo levantamento da consultoria Convocados, os patrocínios das casas de apostas aos clubes da Série A chegaram a aproximadamente R$ 1,03 bilhão em 2025, ante R$ 618 milhões no ano anterior — aumento de cerca de 66%.


Apesar do volume bilionário, esses contratos corresponderam a 7,2% das receitas totais dos integrantes da primeira divisão naquele ano, que somaram R$ 14,3 bilhões. O percentual agregado, entretanto, não significa que todos os clubes tenham o mesmo grau de dependência desses recursos.


Antes mesmo da edição da medida, patrocinadoras já haviam comunicado a equipes das Séries A e B a possibilidade de rompimento dos contratos caso a atividade fosse proibida. Alguns clubes começaram a sondar outras empresas para substituir os parceiros do setor.


Uma reunião de clubes e federações com ministros, prevista para esta terça-feira (29), foi adiada. A expectativa é que o encontro ocorra depois do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. Além das dificuldades de deslocamento diante da convocação em curto prazo, dirigentes discutiram a ausência como demonstração de insatisfação.


Entre as alternativas em debate está a busca por crédito em condições mais favoráveis para reorganizar as finanças. O BNDES, porém, negou ter participado de discussões sobre financiamento aos clubes e informou que seu estatuto impede esse tipo de operação. Portanto, não há linha subsidiada do banco confirmada para atender às equipes.


Na segunda-feira (28), durante a sanção de um projeto sobre o desenvolvimento do futebol feminino, Lula voltou a rejeitar o argumento de que o esporte depende das apostas. O presidente lembrou conquistas de clubes e da seleção brasileira anteriores à presença das bets como patrocinadoras.


“E os clubes que se virem”, afirmou. Para Lula, as equipes precisam melhorar a administração e encontrar outras fontes de receita, enquanto o governo deve priorizar o enfrentamento dos danos provocados pelas apostas à população.