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POLÍTICA

Quaest: Lula e Flávio empatados em 42% no segundo turno

28/09/2026 - 12:14

Indecisos diminuem, Lula avança entre mulheres e empate esconde diferenças no potencial de crescimento

Quaest: Lula e Flávio empatados em 42% no segundo turno

O empate de 42% entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno não conta toda a história da pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (28). Na comparação com o levantamento de 21 de setembro, diminuiu a parcela de indecisos no primeiro turno, o presidente melhorou seu desempenho entre as mulheres e houve uma pequena redução de sua rejeição. São movimentos que ajudam a compreender a disputa para além do placar nacional.


No primeiro turno, Lula passou de 37% para 39%, enquanto Flávio oscilou de 33% para 34%. A distância entre eles aumentou numericamente de quatro para cinco pontos. Augusto Cury recuou de 6% para 4%, empatando com Ronaldo Caiado. Renan Santos aparece com 3%, e Romeu Zema, com 1%.


Os indecisos caíram de 8% para 5% na pergunta estimulada de primeiro turno, quando os nomes dos candidatos são apresentados. A redução de três pontos indica que uma parcela maior do eleitorado passou a declarar uma escolha. Ao mesmo tempo, o recuo de Cury mostra que o movimento da semana não se restringiu a pessoas que antes estavam sem candidato.


Lula teve o maior avanço numérico entre os principais concorrentes, com dois pontos, contra um de Flávio. Isso, porém, não permite afirmar que o presidente recebeu a maior parte dos votos dos antigos indecisos. As duas pesquisas retratam amostras do eleitorado em momentos diferentes.


No segundo turno, a situação dos indecisos é diferente: eles permaneceram em 3%. Lula passou de 41% para 42%, Flávio manteve 42%, e o grupo que declara voto em branco, nulo ou ausência caiu de 14% para 13%. Portanto, o empate numérico surgiu sem redução da indecisão nessa pergunta. Tampouco é possível concluir que houve transferência direta de um grupo para outro.


Uma das mudanças mais expressivas aparece entre as mulheres no primeiro turno. Lula passou de 37% para 40%, enquanto Flávio recuou de 32% para 29%. A vantagem do presidente nesse segmento aumentou de cinco para 11 pontos. O resultado mostra como o equilíbrio nacional pode esconder movimentos mais acentuados em parcelas importantes do eleitorado.


Esses recortes exigem cuidado: a margem de erro nacional de dois pontos não deve ser aplicada automaticamente ao eleitorado feminino ou a outros subgrupos, que têm menos entrevistados. Ainda assim, a direção das variações merece atenção na comparação entre as rodadas.


Outro indicador ajuda a responder quem tem mais espaço para crescer. O potencial de voto de Lula passou de 45% para 46%, enquanto o de Flávio permaneceu em 43%. Esse indicador reúne os entrevistados que dizem conhecer o candidato e admitir votar nele; não representa uma escolha já confirmada.


Considerando o empate de 42% no segundo turno, Lula apresenta uma distância de quatro pontos entre a intenção declarada e seu potencial de voto. Para Flávio, essa diferença é de um ponto. A comparação sugere uma reserva maior de eleitores disponíveis ao presidente, mas não garante que ela será convertida em votos.


A rejeição acompanha essa diferença: a de Lula oscilou de 55% para 54%, enquanto a de Flávio permaneceu em 56%. Os dois continuam rejeitados por mais da metade dos entrevistados. Além disso, potencial e rejeição podem mudar durante a campanha; não constituem um teto permanente nem uma previsão do resultado.


A leitura da rodada, portanto, é de uma melhora numérica de Lula em indicadores relevantes, especialmente entre as mulheres e no potencial de voto, enquanto Flávio mantém sua força no confronto direto. A pesquisa não autoriza tratar a eleição como definida, mas oferece sinais de onde a disputa está mudando e de quais obstáculos cada candidato ainda enfrenta.


A Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre 24 e 27 de setembro. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06520/2026.