Rogério Marinho entrevistado das páginas amarelas da Veja
Senador põe impeachment de ministros do STF no centro do debate
Rogério Marinho levou às Páginas Amarelas de Veja um recado direto: se chegar à presidência do Senado, pretende mudar a maneira como a Casa trata os pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal. Na entrevista ao jornalista Nicholas Shores, publicada na sexta-feira (25), o senador potiguar apresenta suas prioridades e revela o papel que pretende desempenhar numa eventual vitória de Flávio Bolsonaro.
Coordenador da campanha presidencial do PL, Marinho aparece na tradicional seção de entrevistas da revista como um dos principais articuladores do projeto político de Flávio. Veja o apresenta como possível favorito ao comando do Congresso nesse cenário — uma posição que lhe daria influência sobre decisões capazes de alterar a relação entre os Poderes.
“Se eu for presidente do Senado, vou implementar a mudança do rito”, afirmou. Sua proposta é que um pedido de impeachment passe a tramitar automaticamente quando reunir a assinatura de 49 senadores. O presidente da Casa também manteria a possibilidade de abrir o processo caso considerasse suficientes os elementos apresentados.
A intenção é reduzir a dependência de uma decisão individual de quem preside o Senado. Marinho sustenta que o principal obstáculo hoje é político: falta uma maioria disposta a levar os processos adiante. Ao mesmo tempo, disse que uma decisão pelo afastamento definitivo precisaria estar fundamentada nas provas.
“Se os elementos de prova me convencerem, votarei favorável ao afastamento em definitivo do ministro processado”, declarou. Trata-se de uma mudança que o senador defende, e não de uma regra já em vigor.
A entrevista também expõe a intensidade do confronto com o Supremo. Marinho chamou de “espetáculo de deboche” a sessão que, segundo a pergunta apresentada pela revista, deixou para depois das eleições a decisão sobre investigar Alexandre de Moraes. As críticas e acusações feitas pelo parlamentar expressam sua posição sobre a crise.
No conjunto de mudanças que pretende discutir, estão mandatos para integrantes do STF, restrições às decisões monocráticas e a revisão das competências da Corte em matéria penal. Para o senador, a reforma do Judiciário deve ocupar lugar de destaque na agenda do próximo Congresso.
As perguntas também alcançaram um assunto delicado para a campanha: o financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, e a relação de Flávio com Daniel Vorcaro. Marinho defendeu que se tratou de uma negociação entre particulares, sem contrapartida pública, mas reconheceu que o candidato deveria ter esclarecido essa relação quando surgiram os problemas do banqueiro com a Justiça.
“Como candidato à Presidência, Flávio deveria ter deixado claro que essa relação existia no momento em que os problemas de Vorcaro com a Justiça apareceram”, afirmou. Ao negar irregularidades, o senador apresentou a versão da campanha sobre o episódio.
Na economia, Marinho prometeu defendeu a revisão de gastos, o enfrentamento dos supersalários e ajustes nas emendas parlamentares. Também apontou a reforma administrativa e a revisão de exceções da reforma tributária como caminhos para reorganizar as contas públicas e ampliar a participação privada em investimentos.
“Vamos revisitar a reforma tributária, sem paralisá-la”, disse. Segundo ele, Flávio também pretende articular o fim da reeleição presidencial ainda durante uma eventual transição de governo.
A entrevista nas Páginas Amarelas de Veja mostra um Rogério Marinho que, além de coordenar a campanha, já discute o exercício do poder. O senador do Rio Grande do Norte coloca suas propostas na mesa e se projeta para um dos postos mais influentes da República.