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Cidade russa fica cercada por ursos e ataques já deixam sete mortos em setembro

25/09/2026 - 17:07

Abaza enfrenta aproximação de animais, enquanto mortes na região vizinha de Krasnoyarsk provocam investigação sobre possível negligência das autoridades


Cidade russa fica cercada por ursos e ataques já deixam sete mortos em setembro

A presença de ursos perto de casas e estradas colocou a cidade de Abaza, na Sibéria russa, em alerta. Com cerca de 10 mil habitantes, a localidade foi descrita por uma autoridade regional como cercada pelos animais. Na região vizinha de Krasnoyarsk, ataques já deixaram sete mortos em setembro, segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (25).


O vice-chefe do governo de Khakassia, Dmitry Buchenik, afirmou que os ursos estavam “por todos os lados”. “Foi uma noite alarmante em Abaza. A localidade está praticamente sob o cerco dos ursos”, declarou. Alguns animais foram afugentados, mas três acabaram abatidos.


As mortes e o cerco à cidade são episódios registrados em áreas diferentes da Sibéria. Em Krasnoyarsk, o balanço divulgado na quarta-feira (23) apontava seis vítimas em um mês. Entre elas estavam dois aposentados encontrados em uma floresta próxima a Podtyosovo e um trabalhador florestal de 39 anos, atacado enquanto vigiava equipamentos.


A atualização desta sexta-feira acrescentou a morte de uma mulher de 51 anos no povoado de Voznesenka. Ela foi atacada no próprio jardim, depois de avistar um urso tentando entrar em um cercado com animais domésticos. Um vizinho matou o animal a tiros.


A sequência de casos levou à abertura de uma investigação por suspeita de negligência. Investigadores apontam que autoridades locais teriam deixado de adotar medidas para controlar a população de predadores e impedir sua aproximação de áreas residenciais, apesar dos alertas recebidos.


Um dado ajuda a dimensionar a mudança: a população de ursos-pardos da Rússia passou de aproximadamente 130 mil, em 1990, para quase 308 mil em 2026, segundo o Ministério de Recursos Naturais. Isso representa mais que o dobro em pouco mais de três décadas.


A busca por comida é uma das possíveis explicações para a aproximação dos animais. Especialistas citados na cobertura dos ataques relacionam uma primavera antecipada e seca à menor disponibilidade de frutos silvestres em setembro. Com menos alimento no ambiente natural, os ursos podem percorrer distâncias maiores e chegar a áreas habitadas.


Restos de comida deixados ao ar livre também atraem os animais. O cenário reúne, assim, fatores ambientais e problemas de prevenção: a escassez de alimento pode estimular deslocamentos, enquanto o descarte inadequado de resíduos favorece encontros perigosos com moradores.