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CIÊNCIA

Descoberto novo tipo de objeto cósmico: 'Estrela de buraco negro'

16/08/2026 - 10:51

Ponto vermelho observado quando o Universo tinha cerca de 660 milhões de anos parece esconder um buraco negro envolto por uma camada extremamente densa de gás. Descoberta pode ajudar a

Descoberto novo tipo de objeto cósmico: 'Estrela de buraco negro'

Um pequeno ponto vermelho identificado pelo telescópio James Webb pode representar um tipo de objeto cósmico nunca observado dessa forma até agora: um buraco negro envolvido por uma enorme e densa camada de gás, que faz o conjunto se comportar, em alguns aspectos, como uma estrela gigantesca.


Batizado de MoM-BH-1*, o objeto é visto como era cerca de 660 milhões de anos depois do Big Bang, uma fase ainda muito jovem do Universo.


O estudo, publicado na revista "Nature" na última semana, indica que praticamente toda a luz observada pode vir de um buraco negro central e do gás ao seu redor, com pouca contribuição da galáxia que o abriga.


Os pesquisadores chegaram até ele enquanto procuravam algumas das primeiras galáxias do Universo.


Nas imagens do Webb, o objeto chamou atenção por ser extremamente vermelho e brilhante. Mas, quando sua luz foi analisada em detalhes, surgiu uma característica difícil de explicar apenas com estrelas: em determinada faixa, o brilho despenca mais de 20 vezes.


Objetos distantes costumam parecer avermelhados porque a poeira bloqueia com mais facilidade a luz azul.


Era também uma das principais explicações propostas para os chamados “little red dots”, ou pequenos pontos vermelhos, objetos compactos encontrados em grande número pelo James Webb no Universo primitivo.


No MoM-BH*-1, porém, os dados indicam outra possibilidade. O vermelho parece ser produzido principalmente por uma quantidade enorme de gás extremamente denso e turbulento ao redor do buraco negro, e não por poeira.


Esse gás funciona como uma espécie de envoltório: parte da luz mais azul produzida perto do buraco negro não consegue escapar, enquanto comprimentos de onda mais vermelhos chegam até nós com maior facilidade.


No centro estaria um buraco negro em crescimento, alimentando-se de matéria. Ao redor dele, o gás formaria uma estrutura muito maior, dando ao objeto características que lembram as de uma estrela, embora sua fonte de energia seja completamente diferente.


“Você tem algo que se parece um pouco com uma estrela, mas é 100 bilhões de vezes mais brilhante. Isso significa que não pode ser alimentado pela fusão nuclear, que é a fonte de energia no coração de todas as estrelas que conhecemos”, explicou Rohan Naidu, principal autor do estudo, em um comunicado.

A descoberta também pode oferecer uma pista para um dos enigmas levantados pelo próprio James Webb.


Os “pequenos pontos vermelhos” aparecem com frequência nas observações do Universo jovem, mas sua verdadeira natureza ainda é discutida.


Se outros deles também forem buracos negros vistos através de gás denso, suas massas podem ter sido superestimadas, o que ajudaria a rever como os primeiros buracos negros gigantes cresceram tão rapidamente.


Por enquanto, os próprios pesquisadores ressaltam que o modelo é uma interpretação para explicar as observações e que a formação desses objetos continua sendo uma questão em aberto.


Novos dados, inclusive de futuros radiotelescópios, poderão revelar propriedades que o Webb sozinho não consegue medir.


Fonte: Portal G1