Número de pesquisas eleitorais cresce mais de 40% no RN
Estado registrou forte avanço no volume de levantamentos em poucas semanas
O número de pesquisas eleitorais registradas no Rio Grande do Norte cresceu de forma acelerada ao longo de 2026, acompanhando o aumento da movimentação política no estado e levantando dúvidas sobre a confiabilidade de alguns institutos.
No início de junho, o RN contabilizava 33 levantamentos registrados na Justiça Eleitoral. Pouco mais de um mês depois, em 6 de julho, esse número já havia chegado a 43 pesquisas. Em 15 de julho, o total alcançou 47 registros.
A evolução representa um aumento de aproximadamente 42% em relação ao volume registrado no começo de junho, com 14 novos levantamentos adicionados em cerca de seis semanas.
A multiplicação das pesquisas ocorre em meio a uma disputa intensa pelos principais cargos eletivos do Rio Grande do Norte. Os levantamentos acompanham principalmente os cenários para o Governo do Estado e Senado, além de projeções para deputado federal e deputado estadual.
Institutos locais e nacionais, veículos de comunicação e diferentes contratantes têm recorrido às pesquisas para acompanhar as mudanças nas intenções de voto e medir o desempenho das candidaturas ao longo da campanha.
O crescimento também aumenta a atenção sobre metodologia, amostragem e regularidade dos levantamentos. Neste ano, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte já analisou questionamentos envolvendo pesquisas e chegou a suspender levantamentos após identificar irregularidades metodológicas.
Em junho, por exemplo, o TRE-RN manteve a proibição de divulgação de três pesquisas atribuídas ao Instituto Veritá e aplicou multa superior a R$ 106 mil após apontar inconsistências nos dados e na composição das amostras.
O aumento expressivo do número de pesquisas eleitorais no Rio Grande do Norte pode levantar questionamentos sobre eventual uso estratégico desses levantamentos por campanhas, partidos ou grupos interessados em influenciar a percepção pública sobre a disputa. A simples existência de uma pesquisa registrada, porém, não representa uma certificação automática de sua qualidade ou confiabilidade.
O próprio Tribunal Superior Eleitoral esclarece que a Justiça Eleitoral não realiza controle prévio dos resultados divulgados. Por isso, cada levantamento deve ser analisado a partir de critérios como metodologia, plano amostral, contratante, origem dos recursos, margem de erro e nível de confiança.
Da mesma forma, o aumento na quantidade de pesquisas, isoladamente, não comprova manipulação ou uso irregular, mas reforça a importância de avaliar com atenção quem contratou o estudo e como os dados foram produzidos.
O Tribunal Superior Eleitoral mantém uma plataforma pública para consulta dos levantamentos registrados durante as eleições, permitindo que eleitores, partidos e candidatos acompanhem os dados apresentados pelos institutos.
Com a aproximação da votação, a tendência observada nos meses anteriores é de aumento na frequência de divulgação de pesquisas, principalmente durante a reta final da campanha, quando mudanças nas intenções de voto passam a ser acompanhadas com maior intensidade por partidos e eleitores.
O volume registrado em 2026 confirma que as pesquisas se tornaram um componente importante da disputa eleitoral potiguar. Ao mesmo tempo, a quantidade de levantamentos reforça a importância de observar fatores como margem de erro, metodologia, período de coleta e histórico dos institutos antes de comparar resultados.