Trump e Xi Jinping se preparam para encontro em Washington
Presidente chinês fará visita de Estado aos Estados Unidos entre 23 e 25 de setembro; reunião com Donald Trump está prevista para quinta-feira e ocorre em meio à disputa econômica e tecnológica entre as duas potências
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, devem se reunir nesta quinta-feira (24), em Washington, em um dos principais encontros diplomáticos do ano. Xi fará uma visita de Estado aos Estados Unidos entre os dias 23 e 25 de setembro, a convite de Trump, segundo confirmação do Ministério das Relações Exteriores chinês.
Será o segundo encontro entre os dois líderes neste ano. A nova reunião ocorre poucos meses depois de Trump visitar a China e em um momento no qual Washington e Pequim tentam administrar divergências envolvendo comércio, tecnologia, segurança e questões geopolíticas.
Um dos principais temas da conversa deverá ser a relação comercial. Estados Unidos e China mantêm uma trégua tarifária, enquanto representantes dos dois governos negociam questões envolvendo tarifas, compras de produtos agrícolas, exportações chinesas e acesso a minerais considerados estratégicos para diferentes setores da economia.
A inteligência artificial também deverá ocupar espaço importante na reunião. Estados Unidos e China disputam posições de liderança na produção de chips, desenvolvimento de grandes modelos de IA e construção de infraestrutura computacional. Ao mesmo tempo, representantes dos dois países vêm discutindo mecanismos de segurança e possíveis canais de comunicação para situações envolvendo tecnologias avançadas.
Taiwan aparece como outro dos assuntos mais delicados. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, Xi deverá pressionar Trump para reduzir ou interromper vendas de armas norte-americanas à ilha, citando compromissos firmados entre Washington e Pequim em 1982. Os Estados Unidos não mantêm relações diplomáticas formais com Taiwan, mas a legislação americana prevê apoio à capacidade de autodefesa da ilha.
Pequim considera Taiwan parte de seu território e se opõe às vendas de equipamentos militares americanos. Washington, por sua vez, mantém uma política de longa data baseada em relações não oficiais com Taiwan e no compromisso estabelecido pela legislação norte-americana de disponibilizar meios para sua defesa. A questão continua sendo uma das principais fontes de tensão entre as duas potências.
A guerra envolvendo o Irã e seus efeitos sobre o Oriente Médio também podem aparecer nas conversas. Washington busca ampliar a participação chinesa nas negociações internacionais, enquanto a China mantém importantes relações comerciais e diplomáticas com Teerã.
Outro ponto acompanhado de perto é o fornecimento de terras raras e minerais críticos. Esses materiais são essenciais para a fabricação de produtos tecnológicos, veículos elétricos, equipamentos militares e sistemas ligados à inteligência artificial. A China ocupa posição dominante em diversas etapas dessas cadeias produtivas, tornando o assunto estratégico para Washington.
Xi também poderá ser acompanhado por representantes de grandes empresas chinesas. Executivos ligados a companhias como BYD, CATL e Xiaomi estavam entre os nomes considerados para integrar a delegação empresarial, embora a composição definitiva ainda não estivesse confirmada.
O governo chinês afirma que o objetivo da visita é ampliar o diálogo, administrar as diferenças e buscar áreas de cooperação. O Ministério das Relações Exteriores da China informou que Xi pretende manter conversas aprofundadas com Trump sobre as relações bilaterais e questões internacionais.
O encontro será acompanhado pelos mercados financeiros e pelos governos de diversos países devido ao peso das duas economias no comércio mundial e nas cadeias globais de tecnologia. Até o momento, os dois governos não anunciaram um pacote definitivo de acordos a ser assinado durante a reunião.