Irã ameaça atacar bases dos EUA e países aliados caso sofra nova ofensiva
Teerã afirma ter informações sobre preparação de um ataque e promete retaliação prolongada; alerta amplia temor de escalada no Oriente Médio
O Irã ameaçou lançar uma retaliação prolongada contra bases e interesses dos Estados Unidos no Oriente Médio caso o país seja novamente atacado. O aviso foi divulgado neste domingo (20) pelo comando militar iraniano, em meio ao agravamento das tensões na região.
Segundo as Forças Armadas iranianas, Teerã teria recebido informações de que Washington e seus aliados estariam preparando uma nova ofensiva. O governo iraniano, entretanto, não apresentou provas nem revelou detalhes sobre a origem dessas informações.
O comando militar advertiu que países da região que colaborarem com uma eventual operação norte-americana também serão considerados participantes diretos do conflito. A declaração amplia a pressão sobre governos que abrigam tropas, aeronaves e instalações militares dos Estados Unidos.
Os norte-americanos mantêm bases e contingentes em diferentes pontos do Oriente Médio, incluindo Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Iraque, Jordânia e Síria. Algumas dessas estruturas já foram atingidas ou colocadas em estado de alerta durante episódios anteriores de confronto.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos também emitiu um aviso de segurança sobre a possibilidade de uma escalada inesperada na região. Cidadãos norte-americanos foram orientados a aumentar a vigilância e acompanhar possíveis cancelamentos de voos e fechamentos do espaço aéreo.
A tensão ocorre quase sete meses após o início da guerra entre Estados Unidos e Irã. Os dois países continuam sem demonstrar disposição para fazer as concessões consideradas necessárias para encerrar os combates. Um cessar-fogo provisório firmado em junho fracassou no mês seguinte, após divergências sobre os termos do acordo.
O cenário tornou-se ainda mais instável com novos ataques atribuídos aos houthis, grupo do Iêmen apoiado pelo Irã. Os rebeldes afirmaram ter lançado drones e mísseis contra Riad e contra uma importante instalação petrolífera no porto saudita de Yanbu. A Arábia Saudita não confirmou diretamente essas ações, embora a coalizão liderada pelo país tenha informado que impediu outros ataques.
Os avanços dos houthis pela costa do Mar Vermelho aumentaram a preocupação com a segurança do estreito de Bab el-Mandeb, passagem estratégica para o comércio marítimo entre a Ásia e a Europa. Ao mesmo tempo, o bloqueio promovido pelo Irã no estreito de Ormuz compromete grande parte das exportações de energia do Golfo e aumenta a pressão sobre os preços internacionais do petróleo.
Teerã afirma que não reabrirá o estreito de Ormuz enquanto suas exigências relacionadas ao acordo de junho não forem atendidas. Em paralelo, o bloqueio norte-americano aos portos iranianos dificulta a venda de petróleo pelo país e agrava os problemas de sua economia.
Apesar das ameaças, dirigentes iranianos continuam mencionando a negociação como uma possibilidade. O presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, declarou que o país pretende manter simultaneamente a resistência militar e a atuação diplomática, numa tentativa de conter os adversários e preservar eventuais avanços obtidos nas negociações.