Crise no STF muda estratégias de Lula e Flávio Bolsonaro na reta final da campanha
Campanhas recalibram propaganda eleitoral e passam a dar mais espaço a economia, segurança pública, programas sociais e temas institucionais em meio à repercussão da crise no Supremo
A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal passou a influenciar diretamente a estratégia das principais campanhas presidenciais. Nos últimos dias, as equipes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro alteraram o conteúdo da propaganda eleitoral e buscaram ampliar o foco para temas considerados mais diretamente ligados ao cotidiano dos eleitores.
Na campanha de Flávio Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes perdeu espaço na propaganda mais recente. Anteriormente, o candidato havia tentado associar a crise no STF ao governo Lula, mas passou a concentrar sua comunicação principalmente em segurança pública e em propostas direcionadas às mulheres.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também passou a ter maior participação na campanha de Flávio. A estratégia busca ampliar a presença do candidato junto ao eleitorado feminino, enquanto a propaganda destaca propostas relacionadas à proteção de mulheres e ao combate à violência.
Do lado de Lula, a orientação também sofreu ajustes. O presidente passou a se envolver mais diretamente na reação política à crise institucional, depois de inicialmente manter maior distância das disputas internas do Supremo. Assessores da campanha demonstraram preocupação com os possíveis efeitos eleitorais do episódio.
Ao mesmo tempo, a campanha petista reforçou temas econômicos e sociais. O reajuste do Bolsa Família, medidas relacionadas ao endividamento das famílias e ações contra os efeitos das apostas online passaram a receber maior destaque na comunicação do governo e da campanha.
A economia se tornou especialmente importante porque, apesar de indicadores como desemprego e inflação apresentarem resultados considerados favoráveis pelo governo, pesquisas e análises recentes apontam insatisfação de parte do eleitorado com o custo de vida e o endividamento das famílias.
A crise no STF também aparece como fator relevante para uma parcela significativa do eleitorado. Pesquisa Datafolha realizada entre 15 e 17 de setembro mostrou que 47% dos entrevistados disseram acreditar que o episódio terá alguma influência na escolha para presidente. O levantamento ouviu 2.001 eleitores e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
O mesmo levantamento apontou que 38% dos entrevistados consideravam Lula o candidato mais prejudicado pela crise, enquanto 31% apontavam Flávio Bolsonaro. Os números representam a percepção dos entrevistados naquele momento e não determinam o efeito efetivo do episódio sobre o resultado eleitoral.
As pesquisas divulgadas nos últimos dias também indicam uma disputa apertada entre os dois candidatos. Datafolha registrou Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 36% no primeiro turno, diferença dentro da margem de erro do levantamento. Em um eventual segundo turno, o instituto registrou 46% para Lula e 44% para Flávio, também configurando empate técnico.
Com a aproximação da votação, as duas campanhas tentam reduzir a dependência de um único tema e ampliar suas mensagens para assuntos capazes de atingir diferentes grupos do eleitorado. Economia, programas sociais, segurança pública e estabilidade institucional devem permanecer entre os principais eixos da disputa nas próximas semanas.