Polícia encontra passagem secreta em imóveis de Milton Leite e mais de R$ 700 mil em malas
Ex-presidente da Câmara de São Paulo se entregou após ser alvo de prisão temporária em operação que investiga suposta infiltração do PCC no transporte público paulistano
A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público encontraram uma passagem escondida ligando dois imóveis associados ao ex-vereador Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, durante buscas realizadas em Sorocaba, no interior paulista.
Segundo os investigadores, uma das residências pertence ao próprio Milton Leite e a outra estaria vinculada a um assessor. No local, os agentes apreenderam R$ 280 mil e US$ 89 mil em espécie, valores que somam mais de R$ 700 mil. A origem do dinheiro ainda é investigada.
As buscas fazem parte da Operação Vectura Corrupta, que apura uma possível infiltração do Primeiro Comando da Capital, o PCC, em empresas de transporte coletivo e em estruturas do poder público de São Paulo.
Milton Leite teve a prisão temporária decretada pela Justiça e não foi localizado inicialmente pelos agentes. Depois de permanecer mais de 24 horas sem se apresentar, ele compareceu nesta sexta-feira a uma delegacia em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, acompanhado de um advogado.
A investigação aponta suspeitas de que o ex-parlamentar teria influência sobre empresas de ônibus investigadas por supostas ligações com integrantes do PCC. Uma das companhias mencionadas é a Transwolff, que já havia sido alvo de outra operação e teve contrato com a Prefeitura de São Paulo cancelado.
A Justiça citou depoimentos, mensagens e outras informações reunidas ao longo da investigação para fundamentar a prisão temporária. As autoridades também apuram possíveis casos de corrupção de agentes públicos e eventual participação da organização criminosa no financiamento de campanhas eleitorais.
Ao todo, 16 pessoas tiveram mandados de prisão expedidos no âmbito da operação, além do cumprimento de buscas em diferentes cidades paulistas.
A polícia também investiga se houve algum vazamento prévio da operação, já que alguns dos alvos não foram encontrados durante as primeiras diligências. Os investigadores afirmam, porém, que ainda não há confirmação de que informações sigilosas tenham sido repassadas antes da ação.
Milton Leite exerceu sete mandatos consecutivos como vereador e presidiu a Câmara Municipal de São Paulo durante seis anos. Ele deixou o Legislativo paulistano no final de 2024, após 28 anos de atuação política.
A defesa do ex-vereador nega qualquer envolvimento com o PCC ou participação na administração das empresas investigadas. Os advogados afirmam que Milton Leite se considera inocente e que pretende esclarecer as acusações no decorrer do processo.