Lula se irrita com postura de Flávio Dino e chama sessão do STF de “show de horrores”
Presidente criticou o pedido de vista e o tom adotado pelo ministro durante debate sobre possível investigação de Alexandre de Moraes no caso Master
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou a aliados insatisfação com a atuação do ministro Flávio Dino durante a tumultuada sessão do Supremo Tribunal Federal que discutiu a abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes no caso Master.
Lula classificou a sessão, realizada na terça-feira (15), como um “show de horrores”. A reunião foi marcada por interrupções, troca de acusações entre ministros e terminou suspensa após um pedido de vista apresentado por Dino.
Segundo relatos de pessoas próximas ao presidente, Lula não se incomodou apenas com o adiamento da decisão. O petista também teria criticado o tom considerado zombeteiro adotado por seu ex-ministro da Justiça durante o debate.
Na avaliação de Lula, a postura de Dino não foi compatível com a gravidade do caso e com as consequências da crise para o país. O presidente esperava que o magistrado, por sua trajetória política ligada à esquerda, demonstrasse maior sensibilidade diante do que estava em discussão.
Aliados afirmam que o descontentamento chegou ao conhecimento de Flávio Dino. O ministro, no entanto, negou ter recebido qualquer manifestação de contrariedade por parte do presidente.
Dentro do próprio PT, a atuação de Dino também provocou incômodo. Um colaborador de Lula classificou como extravagante o comportamento do ministro, enquanto outro aliado afirmou que o chamado “estilo lacrador” adotado durante a sessão foi inadequado.
Uma das principais críticas envolve as interrupções e contestações feitas por Dino ao presidente do STF, Edson Fachin. Lula considera que a suspensão prolonga a crise interna no tribunal e mantém o assunto no centro da campanha eleitoral.
Contrariado com o adiamento, o presidente pretende procurar Fachin em busca de uma alternativa que permita retomar o julgamento. Lula esperava que a investigação fosse aberta ainda na terça-feira para evitar que a disputa entre ministros contaminasse a reta final do primeiro turno.
Integrantes do governo avaliam que a permanência da crise no noticiário favorece a candidatura de Flávio Bolsonaro, que tem usado as críticas a Alexandre de Moraes como uma das bandeiras de sua campanha.
Lula voltou a comentar o caso nesta quinta-feira (17) e defendeu que todos os ministros mencionados nas investigações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro sejam analisados ao mesmo tempo.
“É difícil dar um palpite sobre uma decisão da Suprema Corte, mas eu acho que, se quiser fazer justiça na votação, tem que colocar todo mundo no mesmo dia. Vamos saber se os telefonemas são verdade, se o Fux está envolvido, se o André Mendonça está envolvido, se o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, está envolvido”, declarou.
O presidente argumentou que não seria correto analisar a situação de um ministro antes das eleições e deixar os demais casos para depois.
“Vamos saber quem está envolvido para apurar. O que você não pode é julgar uma pessoa antes das eleições e os outros depois. Julga todo mundo de uma vez, analisa todo mundo. Todo mundo agora quer ter o material. É só tornar público. Quem é que tem medo de o povo saber das coisas?”, afirmou.
Lula também voltou a acusar André Mendonça, relator do caso Master, de usar o cargo para fazer política e promover a divulgação seletiva de informações. O presidente defende a publicidade integral dos documentos para que todas as suspeitas sejam investigadas sob os mesmos critérios.