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Gilmar Mendes usou hoje suas redes sociais para atacar André Mendonça

17/09/2026 - 11:51

Decano do STF acusa colega de explorar politicamente o caso Banco Master e afirma que exposição do procurador-geral Paulo Gonet provocou danos à sua reputação


Gilmar Mendes usou hoje suas redes sociais para atacar André Mendonça
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a fazer duras críticas ao colega André Mendonça nesta quinta-feira (17), dois dias depois do confronto entre os dois durante uma sessão extraordinária da Corte. Desta vez, Gilmar levou a disputa às redes sociais e acusou Mendonça de explorar politicamente os desdobramentos do caso Banco Master. 


A manifestação teve como ponto central a exposição do procurador-geral da República, Paulo Gonet, cujo nome apareceu em informações obtidas pela Polícia Federal a partir do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.


Gilmar saiu em defesa de Gonet e afirmou que as conversas divulgadas não demonstravam prática de irregularidades pelo procurador-geral. Para o ministro, o levantamento do sigilo provocou danos à imagem de Gonet antes mesmo de qualquer conclusão sobre sua conduta.


“Teve a honra injustamente manchada pelo levantamento do sigilo de conversas que nada de ilícito retratavam. E, naquele exato momento, o estrago à reputação já estava feito. Ninguém desfaz manchete com reparo tardio em plenário”, escreveu Gilmar.


O decano lembrou que, durante a sessão do STF realizada na terça-feira (15), o próprio Mendonça afirmou não identificar elementos que indicassem irregularidades praticadas por Gonet.


“Em plenário, o próprio relator reconheceu, em alto e bom som, a lisura da conduta de Gonet e admitiu que nada havia contra ele. Nada. Então por que expor?”, questionou Gilmar.


Na avaliação do ministro, o episódio ganhou uma dimensão política quando Mendonça publicou um vídeo nas redes sociais agradecendo manifestações de apoio e orações recebidas durante a crise envolvendo as investigações do Master.


“A intenção de lucrar politicamente com o episódio ficou escancarada quando o relator fez publicar vídeo nas redes sociais agradecendo o apoio popular”, afirmou.


Em seguida, Gilmar elevou ainda mais o tom contra o colega:


“Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral.”


As declarações representam a continuidade do confronto ocorrido dentro do plenário do Supremo. Na terça-feira, Gilmar já havia chamado Mendonça de “pixuleco” e “boneco eleitoral” durante uma discussão marcada por acusações sobre a condução das investigações relacionadas ao Banco Master. 


Gilmar também comparou o episódio às práticas que atribui à Operação Lava Jato. O ministro citou o ex-juiz Sergio Moro e o ex-procurador Deltan Dallagnol ao argumentar que a divulgação de informações sensíveis antes da conclusão dos processos pode provocar condenações antecipadas perante a opinião pública.


“Já vimos esse filme. Na Lava Jato, Deltan Dallagnol e Sergio Moro transformaram vazamento seletivo em método”, escreveu.


Segundo Gilmar, esse tipo de exposição pode comprometer a presunção de inocência e o direito de defesa ao produzir repercussão pública antes de uma decisão judicial.


O ministro também relacionou suas críticas ao momento em que o material do caso Master foi tornado público, pouco antes das manifestações de 7 de Setembro.


“Aqui, o levantamento apareceu às vésperas do 7 de Setembro, para inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método”, afirmou.


Mendonça contestou as críticas sobre sua responsabilidade pela publicidade dos documentos. Segundo ele, a retirada do sigilo ocorreu por determinação do presidente do STF, Edson Fachin, e a defesa da publicidade dos documentos também contou com manifestações de outros integrantes da Corte. 


A nova troca de acusações amplia uma das crises internas mais intensas vividas recentemente pelo Supremo. O confronto entre Gilmar e Mendonça ocorre enquanto a Corte tenta definir como serão tratados os desdobramentos das investigações do Banco Master e as informações encontradas no celular de Vorcaro.


O julgamento de terça-feira terminou sem uma definição após pedido de vista do ministro Flávio Dino. Com a análise suspensa, a disputa que começou no plenário passou para as redes sociais e tornou ainda mais públicas as divergências entre integrantes do STF.