Debate da Tribuna expôs propostas, cobranças e confronto entre candidatos ao Governo do RN
Álvaro Dias, Allyson Bezerra, Cadu de Lula e Robério Paulino discutiram saúde, segurança, economia, educação, repasses aos municípios e saneamento; confronto direto elevou a temperatura na reta final
O debate promovido pelo Sistema Tribuna de Comunicação na noite desta terça-feira (15), no Hotel-Escola Senac Barreira Roxa, em Natal, colocou frente a frente os quatro candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte que participam da disputa eleitoral: Allyson Bezerra (União Brasil), Álvaro Dias (PL), Cadu de Lula (PT) e Robério Paulino (PSOL). O encontro foi realizado em parceria com Fecomércio-RN, Femurn e OAB-RN e começou concentrado na apresentação de propostas, mas terminou com confrontos diretos e discussões sobre as gestões anteriores.
Nos primeiros blocos, as perguntas foram formuladas pelas entidades que participaram da organização. Desenvolvimento econômico, licenciamento ambiental, contas públicas, saneamento, saúde, previdência e relação entre Estado e municípios estiveram entre os principais assuntos. O formato reduziu inicialmente os embates pessoais e obrigou os candidatos a apresentar propostas para áreas consideradas estratégicas para o futuro do Estado.
Na discussão econômica, Álvaro Dias defendeu investimentos nos setores eólico e solar e a atração de indústrias para consumir a energia produzida no Rio Grande do Norte. Entre as propostas apresentadas, citou a criação de um polo industrial próximo a Caiçara do Norte, além do fortalecimento de atividades como fruticultura, mineração, indústria salineira, petróleo e turismo.
Cadu de Lula destacou o potencial do Estado para receber novos empreendimentos ligados à tecnologia e às energias renováveis. O candidato citou a possibilidade de instalação de data centers e defendeu investimentos em infraestrutura, além do projeto do Porto Indústria Verde e do aproveitamento do excedente de energia produzido no RN.
Allyson Bezerra concentrou parte de sua participação na situação fiscal do Estado. Ele afirmou que pretende não aumentar impostos e ampliar a arrecadação por meio da atração de investimentos. Também propôs a criação de uma secretaria de projetos e de um banco de projetos para organizar investimentos públicos e privados.
Robério Paulino defendeu uma política de industrialização e o fortalecimento da produção dentro do próprio Estado. Ao comentar a posição de Allyson sobre impostos, questionou o aumento do IPTU em Mossoró e apontou o combate à sonegação como alternativa para ampliar a arrecadação sem necessariamente elevar as alíquotas.
Repasses aos municípios entram no centro do debate
A relação financeira entre o Governo do Estado e as prefeituras foi outro dos principais temas. Questionado pela Femurn sobre os atrasos nos repasses constitucionais, Allyson afirmou que pretende manter os pagamentos em dia caso seja eleito e classificou a situação atual como um problema que afeta diretamente os municípios.
Robério também assumiu o compromisso de não atrasar repasses, mas aproveitou a resposta para fazer críticas à administração de Mossoró. O tema acabou provocando uma das primeiras elevações de tom do debate, com críticas dirigidas diretamente a Allyson.
A questão dos repasses ganhou ainda mais peso porque ocorreu em meio ao impasse entre a Femurn e o Governo do Estado. A federação afirma existir um volume significativo de recursos pendentes para os municípios, enquanto o Executivo estadual sustenta que pagamentos estão sendo realizados e anunciou novos repasses.
Saúde foi um dos assuntos mais disputados
A saúde pública apareceu em diferentes momentos do encontro. Allyson defendeu o fortalecimento dos hospitais regionais e a realização de um mutirão para reduzir a fila de cirurgias eletivas. Também citou propostas como leitos de UTI pediátrica em Pau dos Ferros, serviço de cateterismo em Caicó e estrutura para partos no Hospital Regional de João Câmara.
Álvaro Dias defendeu a descentralização do atendimento e o fortalecimento dos hospitais regionais para diminuir a concentração dos serviços na capital.
Cadu de Lula apresentou propostas relacionadas à ampliação de consultas especializadas por telemedicina, centrais regionais de diagnóstico e redução da fila de cirurgias. Ao defender os resultados do governo Fátima Bezerra, afirmou que houve aumento na realização de cirurgias e na quantidade de leitos de UTI em comparação com administrações anteriores.
Segurança provoca confronto entre Allyson e Cadu
A segurança pública foi um dos momentos de maior divergência entre Allyson e Cadu. Allyson apresentou números que atribuiu ao Anuário Brasileiro de Segurança Pública e questionou a política de segurança do atual governo.
Cadu contestou a interpretação dos dados e acusou o adversário de fazer recortes das estatísticas. O candidato petista defendeu os resultados obtidos durante a atual administração e fez comparações com períodos anteriores, especialmente em relação à crise do sistema penitenciário.
A troca mostrou uma das principais linhas de divisão do debate: enquanto Allyson e Álvaro concentraram críticas na atuação do atual governo, Cadu procurou defender resultados da gestão Fátima Bezerra e apresentar propostas para uma eventual continuidade administrativa.
Educação, saneamento e instituições também entraram na pauta
Na educação, Cadu estabeleceu como meta colocar o Rio Grande do Norte entre os dez melhores resultados do Ideb até 2030 e defendeu a ampliação do ensino em tempo integral. Também propôs uma complementação para estudantes beneficiários do Pé-de-Meia.
Álvaro Dias também defendeu a transformação das escolas estaduais em unidades de tempo integral ao longo de um eventual mandato.
No saneamento, Allyson afirmou que pretende ampliar a atuação da Caern para os municípios. Álvaro, por sua vez, defendeu primeiro uma reestruturação da companhia antes da expansão dos serviços.
A OAB-RN levou ao debate questões relacionadas à independência das instituições, participação da sociedade na administração pública, acesso à Justiça e respeito às prerrogativas da advocacia. Os quatro candidatos defenderam, em diferentes respostas, o diálogo institucional e o fortalecimento das estruturas de acesso à Justiça.
Perguntas entre candidatos mudam o clima
A mudança mais significativa ocorreu no quinto bloco, quando os próprios candidatos passaram a questionar uns aos outros. Nesse momento, as administrações de Mossoró, Natal e do Governo do Estado passaram a ser utilizadas como referência para cobranças e respostas.
Cadu questionou Robério sobre desenvolvimento econômico. Robério defendeu a produção local e o fortalecimento da indústria potiguar, enquanto Cadu respondeu destacando políticas de incentivos e a necessidade de novos investimentos em infraestrutura.
Álvaro Dias direcionou questionamentos a Cadu sobre a gestão Fátima Bezerra, especialmente nas áreas de saúde e segurança. Cadu respondeu defendendo resultados da administração da governadora e apresentando novas propostas para um eventual governo.
Outro confronto envolveu Robério e Álvaro em torno da engorda da Praia de Ponta Negra e das políticas ambientais. A discussão passou pela execução da obra, licenciamento e mudanças climáticas, com os dois apresentando visões diferentes sobre desenvolvimento e preservação ambiental.
Bate-boca no intervalo marca reta final
O momento mais tenso ocorreu durante o intervalo que antecedeu o bloco final. Allyson Bezerra e Cadu de Lula protagonizaram uma discussão relacionada ao tempo de resposta concedido ao ex-prefeito de Mossoró.
Segundo a cobertura da Tribuna, Allyson questionou Cadu sobre a ausência de referências à governadora Fátima Bezerra, enquanto o candidato do PT afirmou ter orgulho da governadora e mencionou a Operação Mederi, que teve Allyson como alvo.
O episódio confirmou a mudança de clima registrada ao longo da noite. O debate começou com predominância de propostas e terminou com os candidatos recorrendo também ao histórico administrativo dos adversários.
Após o encerramento, Robério Paulino, Álvaro Dias e Cadu de Lula avaliaram positivamente a realização do encontro. Allyson deixou o local logo após o debate e não participou da entrevista coletiva posterior. Robério disse que momentos de maior tensão fazem parte de um debate, enquanto Álvaro classificou o encontro como uma oportunidade para apresentar ideias. Cadu afirmou que o debate permitiu ao eleitor comparar os projetos apresentados.
No conjunto, o encontro da Tribuna colocou no mesmo palco quatro visões diferentes para o Rio Grande do Norte e percorreu temas que vão da situação fiscal à saúde, segurança, educação, infraestrutura, desenvolvimento econômico e relação com os municípios. A etapa final acrescentou ao debate uma dimensão mais diretamente eleitoral, com cobranças sobre gestões passadas e confrontos entre os candidatos.