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Radar que calcula velocidade média começa a ser testado em oito estados

16/09/2026 - 07:39

Novo sistema acompanha o tempo gasto pelo veículo entre dois pontos e poderá mudar a forma de fiscalização nas rodovias; nesta fase experimental, motoristas não serão multados



Radar que calcula velocidade média começa a ser testado em oito estados
Um novo sistema de fiscalização de trânsito começou a ser testado em rodovias de oito estados brasileiros. Diferentemente dos radares tradicionais, que verificam a velocidade do veículo em um ponto específico, o equipamento calcula a velocidade média mantida durante determinado trecho.


Os testes foram autorizados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e têm caráter exclusivamente técnico, educativo e experimental. Por enquanto, os dados coletados não poderão ser utilizados para aplicar multas ou registrar infrações de trânsito.


O funcionamento é relativamente simples. O veículo é identificado ao passar por um primeiro ponto de monitoramento e novamente ao chegar ao segundo. O sistema registra os horários de passagem, considera a distância entre os equipamentos e calcula quanto tempo foi necessário para percorrer o trecho.


Com essas informações, é possível determinar a velocidade média desenvolvida pelo veículo. Assim, mesmo que o motorista reduza a velocidade diante de um equipamento específico, o sistema consegue verificar o comportamento durante todo o percurso monitorado.


A tecnologia será testada em trechos de rodovias do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.


Em Minas Gerais, os testes abrangem trechos das BR-050, BR-381, BR-040 e BR-116. No Paraná, estão previstas experiências nas rodovias PR-444, PR-862, BR-376, BR-163, BR-277 e PR-151.


No Rio de Janeiro, haverá monitoramento em trechos da BR-101, incluindo a Ponte Rio-Niterói, e da BR-116. Também haverá testes na BR-101 de Santa Catarina, na BR-386 do Rio Grande do Sul, na BR-101 do Espírito Santo, na BR-414 de Goiás e na BR-163 de Mato Grosso do Sul.


O projeto terá duração inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação. A intenção da ANTT é avaliar o funcionamento da tecnologia e o comportamento dos motoristas antes de uma eventual utilização permanente em rodovias federais concedidas.


Mesmo durante os testes, os locais deverão contar com sinalização informando os motoristas sobre a realização do experimento. A agência ressalta que a velocidade média registrada nesta etapa não poderá, sozinha, resultar em autuação ou penalidade.


Sistema já foi utilizado em outros testes

A tecnologia não é totalmente nova no Brasil. Experiências anteriores já foram realizadas em diferentes pontos, inclusive em São Paulo. Em seis meses de testes educativos, quatro pontos de fiscalização emitiram cerca de 852 mil notificações, sem que os registros resultassem em multas.


Outro projeto está em funcionamento na BR-050, em Uberaba, Minas Gerais, em um trecho de aproximadamente 11 quilômetros considerado de alto risco para acidentes fatais.


Segundo a concessionária responsável pelo trecho, uma ação educativa realizada em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal foi seguida por uma redução de 22,5% nos flagrantes, considerando a comparação entre os 15 dias anteriores e os 15 dias posteriores à operação.


A principal diferença em relação ao radar convencional é justamente a extensão da fiscalização. Em vez de verificar apenas a velocidade instantânea em determinado ponto da estrada, o novo modelo permite observar o comportamento do veículo ao longo de um percurso.


Na prática, a tecnologia pode dificultar a estratégia de acelerar durante a maior parte do trajeto e reduzir a velocidade apenas quando o motorista se aproxima de um radar. O sistema considera o tempo total utilizado para atravessar o trecho monitorado.


Por enquanto, entretanto, o objetivo não é aumentar a quantidade de multas. A fase atual servirá para avaliar a tecnologia, estudar o comportamento dos condutores e verificar como o modelo pode ser utilizado futuramente como ferramenta de segurança viária.