Eduardo Bolsonaro promete levar julgamento do STF aos EUA e buscar nova rodada de sanções
Ex-deputado afirma que vai apresentar em Washington registros da sessão que envolve Alexandre de Moraes; declaração ocorre às vésperas de reuniões sobre possíveis novas medidas americanas
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou nesta terça-feira que pretende levar a autoridades dos Estados Unidos registros da sessão do Supremo Tribunal Federal que discute a possibilidade de abertura de uma investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
Em uma publicação nas redes sociais, Eduardo afirmou que pretende apresentar o material em Washington e relacionou a iniciativa à tentativa de obter uma nova rodada de sanções americanas contra integrantes do STF.
“Tudo registrado e pronto para expor em DC onde, se Deus quiser, se iniciará uma nova rodada de sanções”, escreveu, referindo-se a Washington, capital dos Estados Unidos.
A manifestação ocorreu enquanto o Supremo analisava o procedimento relacionado a Moraes, baseado em informações reunidas pela Polícia Federal no caso Banco Master e em dados envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A sessão foi marcada por fortes divergências entre os ministros e confrontos públicos no plenário.
Eduardo também fez críticas diretas a Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino. O ex-deputado questionou a atuação de Moraes em processos judiciais, criticou as manifestações de Gilmar durante o julgamento e atacou Dino por sua participação nos debates da sessão.
A declaração acontece às vésperas de uma série de reuniões que Eduardo deve realizar em Washington. Segundo informações divulgadas nesta terça-feira, possíveis novas sanções contra Moraes estão entre os assuntos que deverão ser tratados nos encontros. Os nomes de todos os participantes não foram divulgados.
Moraes foi alvo de sanções dos Estados Unidos em 2025 com base na Lei Global Magnitsky. As medidas atingiram posteriormente também sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e uma instituição ligada à família, mas foram retiradas pelo governo americano.
A possibilidade de novas punições voltou a ser discutida nos Estados Unidos justamente no momento em que o STF enfrenta uma crise interna envolvendo diferentes ministros. Até esta terça-feira, porém, não havia anúncio oficial do governo americano confirmando uma nova rodada de sanções.
Durante a sessão, Flávio Dino reagiu às notícias sobre a possibilidade de novas medidas dos Estados Unidos. O ministro afirmou ter recebido a informação com surpresa e indignação e defendeu que o Supremo não se submeta a pressões externas.
A discussão internacional se soma às próprias divergências existentes dentro do STF. Gilmar Mendes e André Mendonça protagonizaram um duro bate-boca durante a sessão, enquanto Alexandre de Moraes e Mendonça também trocaram acusações sobre a condução das investigações relacionadas ao Banco Master.
O episódio ocorre ainda em um contexto no qual outras investigações relacionadas ao caso Banco Master alcançam integrantes da família Bolsonaro. Flávio Bolsonaro é investigado em uma frente relacionada ao projeto cinematográfico “Dark Horse”, que envolve suspeitas sobre recursos destinados à produção e relações financeiras com Daniel Vorcaro.
Assim, a iniciativa anunciada por Eduardo acrescenta uma dimensão internacional à crise que atualmente envolve o Supremo. Enquanto os ministros discutem internamente os procedimentos relacionados a Moraes, o ex-deputado pretende apresentar o conteúdo da sessão a interlocutores nos Estados Unidos e defender a adoção de novas medidas contra integrantes da Corte.