Moraes chama relatório de Mendonça de “farsa” e fala em vingança político-eleitoral
Ministro afirma que documento não apresenta indícios de crime e acusa aliados de condenados pela trama golpista de tentar atingir o STF
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), classificou como “farsa” o relatório apresentado pelo ministro André Mendonça envolvendo sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Em manifestação encaminhada ao presidente da Corte, Edson Fachin, Moraes afirmou que o documento não apresenta elementos capazes de indicar a prática de qualquer infração penal.
A manifestação de Moraes tem 44 páginas e 121 tópicos e será considerada pelo plenário do STF na sessão marcada para esta terça-feira (15), quando os ministros deverão analisar os desdobramentos do caso.
Segundo Moraes, por trás do relatório haveria uma motivação “político-eleitoral” e uma tentativa de vingança promovida por aliados de pessoas condenadas pelos ataques às instituições democráticas e pela trama golpista.
O ministro sustenta que a análise do conjunto de documentos relacionados à chamada Operação Compliance não encontrou qualquer indício de atividade ilícita de sua parte. De acordo com a manifestação, são 7.742 documentos distribuídos em 48 petições, uma reclamação e quatro inquéritos.
Moraes também argumenta que nunca julgou processos envolvendo o Banco Master ou Vorcaro, nem durante nem depois do período em que o banco manteve contrato com o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
O contrato, no valor de R$ 131 milhões, tornou-se um dos principais pontos de questionamento no caso. Documentos da Receita Federal apontaram que R$ 80,2 milhões foram pagos ao escritório em um período de dois anos. A banca confirmou que Moraes participou de tratativas relacionadas ao contrato na condição de marido da sócia, a pedido do setor de compliance, para verificar possíveis impedimentos legais.
Outro ponto contestado por Moraes é a hipótese de que sua relação com Vorcaro tenha provocado vazamento de informações das investigações. O ministro afirma que não haveria lógica nessa conclusão porque a operação policial conseguiu avançar normalmente, resultando inclusive na prisão do ex-banqueiro e na apreensão de seu celular, considerado peça central da investigação.
As mensagens encontradas no aparelho, entretanto, mostram que Vorcaro manteve contato com Moraes pouco antes de ser preso, em novembro de 2025. Em uma delas, o empresário perguntou ao ministro se deveria deixar o país antes da prisão. Em outra, questionou se havia possibilidade de ser preso na manhã seguinte.
O conteúdo dessas mensagens está entre os elementos que serão considerados pelo STF no julgamento desta terça-feira. A sessão ocorre em meio a uma crise interna na Corte provocada pela disputa envolvendo Moraes, Mendonça, a Polícia Federal e a condução das investigações relacionadas ao Banco Master.
A manifestação de Moraes representa uma resposta direta ao relatório apresentado por Mendonça e aumenta a tensão às vésperas da análise do caso pelo plenário. O julgamento deverá definir os próximos passos das investigações e poderá aprofundar o confronto entre os dois ministros.