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CIÊNCIA

Trump rejeita freio no avanço da IA e acusa setor de promover “conspiração doentia”

14/09/2026 - 16:56

Presidente dos EUA reage a alertas de executivos de tecnologia, defende liderança americana na corrida pela inteligência artificial e diz que medidas de controle podem favorecer a China



Trump rejeita freio no avanço da IA e acusa setor de promover “conspiração doentia”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom nesta segunda-feira (14) contra os apelos por uma desaceleração no desenvolvimento da inteligência artificial. Em publicação na Truth Social, o republicano afirmou existir uma “conspiração doentia” contra a IA e os centros de dados americanos e sustentou que o setor não precisa de novas barreiras de segurança. 


Trump também atacou diretamente Dario Amodei, CEO da Anthropic, que defendeu uma redução coordenada no ritmo de desenvolvimento dos modelos mais avançados para que os mecanismos de segurança possam acompanhar a evolução da tecnologia. A posição de Amodei recebeu apoio público de nomes como Sam Altman, da OpenAI, Elon Musk, da xAI, Demis Hassabis, do Google DeepMind, e Satya Nadella, da Microsoft.


Na avaliação de Trump, os Estados Unidos não podem correr o risco de perder a liderança tecnológica para a China. O presidente afirmou que o país já possui instrumentos criminais e regulatórios suficientes para lidar com eventuais abusos cometidos pelas empresas de inteligência artificial.


Em uma de suas manifestações, Trump afirmou que a única “barreira de proteção” necessária para a IA seria um presidente americano “forte e inteligente”. O republicano também acusou os críticos da expansão da tecnologia de contribuir, ainda que indiretamente, para os interesses chineses. 


O confronto acontece depois de uma sequência de alertas sobre os riscos associados ao avanço acelerado da inteligência artificial. Dario Amodei chegou a defender que empresas e governos reduzam o ritmo de desenvolvimento dos sistemas mais poderosos para compreender melhor os riscos de segurança. Outros executivos do setor passaram a apoiar parte dessas preocupações, ampliando o debate sobre a necessidade de regulamentação.


Entre os temores levantados por especialistas estão sistemas capazes de operar com elevado grau de autonomia, ataques cibernéticos mais sofisticados e possíveis usos da IA em atividades capazes de provocar danos em larga escala. A discussão ganhou ainda mais força após relatos recentes sobre o uso indevido de modelos avançados em operações cibernéticas e aplicações militares.


Trump, porém, considera que uma desaceleração poderia comprometer a vantagem estratégica americana. Para o presidente, a disputa pela liderança em inteligência artificial está diretamente relacionada ao poder econômico, tecnológico e militar dos países.


O embate coloca Washington diante de uma questão que deve ganhar importância nos próximos meses: até que ponto os Estados Unidos devem acelerar a corrida pela IA para manter a liderança sobre a China e, ao mesmo tempo, criar mecanismos capazes de limitar os riscos de uma tecnologia que avança em velocidade cada vez maior.