Grupo de 212 personalidades apoia Fachin e cobra transparência no STF
Carta reúne juristas, empresários, economistas e representantes da sociedade civil em meio à crise envolvendo Moraes, Mendonça e o caso Banco Master
Um grupo de 212 juristas, empresários, economistas, acadêmicos e representantes da sociedade civil divulgou neste domingo (13) uma carta de apoio ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. O documento manifesta apoio às medidas adotadas pelo ministro para enfrentar a crise institucional que envolve a Corte e defende uma apuração rigorosa e transparente dos fatos.
Entre os signatários estão Jorge Gerdau, Luiza Trajano, Cândido Bracher, Armínio Fraga, Pedro Malan, José Eduardo Cardozo, Pérsio Arida e Maria Silvia Bastos Marques. O grupo afirma que o momento representa uma das crises mais graves da história do Supremo e pede o fortalecimento da colegialidade, da imparcialidade e da transparência no tribunal.
A manifestação ocorre às vésperas da sessão extraordinária marcada para terça-feira (15), quando o STF deverá analisar questões relacionadas ao relatório da Polícia Federal que aponta mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, no contexto das investigações sobre o Banco Master.
Fachin assumiu a relatoria do caso envolvendo Moraes e Vorcaro e determinou que informações relacionadas às investigações fossem disponibilizadas aos demais ministros, preservando apenas diligências cujo sigilo possa comprometer seu andamento. O presidente da Corte também passou a concentrar processos relacionados ao Banco Master e a outras investigações envolvendo integrantes do STF.
A transparência dos dados extraídos do celular de Vorcaro se tornou um dos principais pontos de tensão antes da sessão. Ministros como Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e o próprio Moraes defenderam acesso integral ao material, enquanto André Mendonça argumenta que a divulgação completa poderia prejudicar investigações ainda em andamento.
Além de apoiar Fachin, os signatários defendem reformas institucionais para evitar conflitos de interesse e ampliar a segurança e a transparência dos procedimentos internos do Supremo. Entre as propostas está a criação de regras mais claras de conduta para os ministros.
A carta se soma a outras manifestações recentes de juristas, empresários e ex-integrantes do STF que pedem uma resposta institucional à crise. O movimento ocorre em um momento de forte disputa interna na Corte, com decisões divergentes e acusações envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.
Para os signatários, preservar a credibilidade do Supremo exige justamente que denúncias envolvendo seus integrantes sejam investigadas com independência e que eventuais irregularidades sejam esclarecidas de forma pública e dentro do devido processo legal.