Jornalismo Independente & Opinião
BRASIL

Prédio desaba sobre casa em São Paulo, deixa cinco mortos e leva sócio de construtora à prisão

13/09/2026 - 12:45

Edifício em construção na Penha tinha histórico de irregularidades e já havia sido alvo de autuações; equipes de resgate ainda procuram uma criança de sete anos entre os escombros


Prédio desaba sobre casa em São Paulo, deixa cinco mortos e leva sócio de construtora à prisão
Um prédio em construção desabou na madrugada de sábado (12), no bairro da Penha, zona leste de São Paulo, atingindo uma casa vizinha e provocando uma tragédia. Cinco pessoas morreram e uma criança de sete anos continua desaparecida entre os escombros.


O edifício, localizado na Rua Tequici, tinha cerca de 11 a 12 pavimentos e desabou por volta das 2h. A estrutura atingiu diretamente uma residência onde moravam pessoas de origem boliviana.


Duas pessoas foram retiradas com vida dos escombros e encaminhadas para atendimento médico. Entre as vítimas fatais estão duas mulheres, sendo uma delas grávida.


As buscas continuam com equipes especializadas do Corpo de Bombeiros, cães farejadores e equipamentos utilizados para a retirada cuidadosa das estruturas.


Sócio da construtora é preso

Um dos sócios-proprietários da New Home Construtora, responsável pela obra, foi preso temporariamente neste domingo (13). Ele foi levado ao 24º Distrito Policial, onde presta depoimento.


A Polícia Civil também trabalha para cumprir outros dois mandados de prisão temporária contra representantes da empresa. A investigação busca esclarecer as causas do desabamento e identificar eventuais responsabilidades criminais.


Obra tinha histórico de irregularidades

Um dos principais pontos investigados é o histórico da construção. Segundo a Prefeitura de São Paulo, o empreendimento havia sido autuado e interditado em 2019 por irregularidades.


O município também aplicou multas que chegaram a aproximadamente R$ 119 mil e, em 2021, a Procuradoria-Geral do Município acionou a Justiça para tentar interromper a obra.


Posteriormente, um novo projeto apresentado para o terreno recebeu autorização condicionada à demolição de uma estrutura anterior. Em 2024, uma vistoria municipal teria registrado que essa demolição havia sido realizada.


Após o desabamento, porém, surgiram indícios de que a estrutura antiga não teria sido completamente demolida. A Prefeitura abriu uma investigação para verificar o que ocorreu e também apurar possíveis falhas no processo de fiscalização.


A servidora responsável pela vistoria foi afastada enquanto o procedimento é analisado.


Chuva não seria a única explicação

O desabamento aconteceu durante um período de chuvas fortes na capital paulista. Apesar disso, as autoridades ainda não estabeleceram que o temporal tenha sido a causa do colapso.


A Defesa Civil e os peritos deverão analisar as condições do terreno, os materiais utilizados, a estrutura da edificação e o histórico da obra.


O governador Tarcísio de Freitas afirmou que existem indícios de irregularidades na construção e que, neste momento, a principal linha de investigação considera possíveis problemas estruturais.


Construtora afirma que vai colaborar

A New Home informou que iniciou uma investigação interna para esclarecer as circunstâncias do acidente e afirmou que, neste momento, não há elementos suficientes para atribuir exclusivamente à empresa a responsabilidade pelo desabamento.


A construtora também declarou que está prestando assistência às famílias atingidas e que pretende colaborar com as autoridades.


Buscas continuam

Cerca de 70 bombeiros permanecem mobilizados na região, trabalhando para localizar a criança desaparecida. O trabalho exige cuidado devido ao risco de movimentação das estruturas que permaneceram de pé.


Imóveis próximos também foram interditados pela Defesa Civil por razões de segurança.


Depois da conclusão das buscas, a perícia deverá realizar uma análise detalhada dos destroços para tentar determinar a sequência de acontecimentos que levou ao colapso.


A investigação deverá esclarecer não apenas as condições estruturais do edifício, mas também como uma obra que já havia sido alvo de autuações e medidas administrativas conseguiu avançar.