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Dino derruba sigilo de investigação sobre “Dark Horse”, PF cita possível elo com PCC e aponta Mário Frias como agente central

13/09/2026 - 12:34

Ministro do STF torna públicos documentos de investigação que apura suposto desvio de recursos públicos e afirma que há indícios de uma estrutura organizada envolvendo emendas parlamentares e verbas da Prefeitura de São Paulo


Dino derruba sigilo de investigação sobre “Dark Horse”, PF cita possível elo com PCC e aponta Mário Frias como agente central
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste domingo (13) o levantamento do sigilo da investigação relacionada à produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão tornou públicos cerca de 5 mil páginas de documentos apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo.


Os autos reúnem informações sobre suspeitas de irregularidades envolvendo recursos públicos, emendas parlamentares federais e verbas da Prefeitura de São Paulo. Entre os principais nomes citados está o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que participou da produção do filme.


Em seu despacho, Dino afirmou que os elementos reunidos durante a investigação apontam para uma possível conexão entre diferentes frentes do caso e mencionou uma linha investigativa relacionada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).


"Com efeito, no curso da investigação se fortalece a hipótese de imbricação indissociável em um sofisticado esquema de destinação e desvio de recursos públicos, com destaque para emendas parlamentares federais e para a prefeitura de São Paulo. Essa organização alcançaria, inclusive, vínculos com a facção PCC (Primeiro Comando da Capital), consoante linha investigativa mencionada nos autos", acrescentou o ministro, no despacho.


O ministro também reproduziu na decisão um trecho da representação da Polícia Federal que aponta Mário Frias como figura central da estrutura investigada.


"Em verdade, há fortes indícios de uma única organização criminosa, estruturada para captar, disseminar e ocultar recursos provenientes de verbas públicas, na qual o Deputado Federal Mário Frias figura como agente central", afirma a representação da Polícia Federal reproduzida no despacho de Flávio Dino.


A investigação analisa, entre outros pontos, a destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares para entidades relacionadas à produtora Karina Gama, além de movimentações financeiras envolvendo empresas ligadas ao projeto cinematográfico.


Segundo os investigadores, também estão sob análise transferências financeiras consideradas incompatíveis com os rendimentos declarados por Frias e a possível circulação dos recursos por diferentes empresas.


Dino determinou ainda que celulares, computadores e outros materiais apreendidos sejam encaminhados à Polícia Federal para aprofundamento das análises.


A decisão ocorre após a Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal, que teve Mário Frias e Karina Gama entre os principais alvos. O deputado nega irregularidades e classificou a operação como uma “cortina de fumaça”.


Com a retirada do sigilo, o conteúdo reunido pelas autoridades passa a ser público e deverá ampliar o escrutínio sobre o financiamento de “Dark Horse”, a utilização de emendas parlamentares e as relações financeiras identificadas durante a apuração.


Apesar das afirmações presentes no despacho, as suspeitas ainda são objeto de investigação. Eventuais responsabilidades criminais dependerão da análise das provas e da conclusão das autoridades responsáveis pelo caso.