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Datafolha: 34% defendem afastamento de Moraes e 37% querem saída de Mendonça

12/09/2026 - 19:09

Pesquisa mostra forte divisão da opinião pública em meio à crise no STF; impeachment é defendido por 28% contra Moraes e por 12% contra Mendonça

Datafolha: 34% defendem afastamento de Moraes e 37% querem saída de Mendonça
A crise que envolve o Supremo Tribunal Federal e as disputas entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça já provoca uma reação significativa entre os brasileiros. Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (12) mostra que 34% dos entrevistados defendem o afastamento temporário de Moraes, enquanto 37% apoiam a mesma medida contra Mendonça.


Apesar da proximidade entre os percentuais, a percepção muda quando a pergunta trata de impeachment. Nesse caso, 28% dos entrevistados defendem que Moraes seja alvo de um processo para deixar definitivamente o Supremo, enquanto 12% apoiam o impeachment de Mendonça.


No caso de Moraes, outros 13% consideram que o ministro deveria renunciar ao cargo. Apenas 7% afirmaram não identificar problemas na atuação do magistrado, enquanto 5% avaliaram que não haveria irregularidade porque as conversas que deram origem à crise teriam sido obtidas ou divulgadas de maneira ilegal.


Em relação a Mendonça, 11% defendem a renúncia do ministro, enquanto 25% avaliam que ele não cometeu nenhuma ilegalidade em sua atuação no caso Banco Master. 


Crise no STF divide a opinião pública

Os números foram levantados em um momento de forte tensão dentro do Supremo, especialmente após a divulgação de informações relacionadas às investigações sobre o Banco Master e aos contatos entre Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição, e integrantes da Corte.


A disputa ganhou novos contornos depois que Mendonça passou a conduzir investigações relacionadas ao caso e tornou públicos documentos que envolvem diferentes autoridades. Moraes, por sua vez, questionou a atuação do colega e criticou o que classificou como divulgação seletiva de informações.


O presidente do STF, Edson Fachin, entrou no conflito para tentar conter a escalada entre os ministros. Ele retirou de Moraes a relatoria do inquérito das fake news, suspendeu decisões conflitantes de Mendonça e Flávio Dino relacionadas ao comando da Polícia Federal e determinou medidas para evitar a sobreposição de investigações. 


Pressão sobre os dois ministros

A pesquisa revela que nenhum dos dois lados da disputa consegue escapar de uma parcela expressiva de rejeição. Embora Moraes enfrente maior pressão quando a possibilidade apresentada é o impeachment, Mendonça aparece numericamente à frente quando a pergunta trata especificamente de um afastamento temporário.


O resultado evidencia o grau de polarização provocado pela crise e mostra que a disputa interna do STF passou a ser acompanhada de perto pela população.


O levantamento ouviu 2.002 pessoas em 125 municípios brasileiros entre os dias 8 e 10 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. 


Crise tem impacto limitado sobre a eleição

Apesar da repercussão política do conflito, outra pesquisa Datafolha divulgada neste sábado indica que a crise no STF tem produzido impacto relativamente pequeno sobre a escolha do eleitor para a Presidência.


Segundo o levantamento, as acusações relacionadas a Moraes não alteraram a preferência de 85% dos entrevistados, enquanto as críticas envolvendo Mendonça não mudaram a escolha de 86% dos eleitores.


Os dados sugerem que, embora a crise provoque forte reação quando os brasileiros são questionados especificamente sobre os ministros, ela ainda não se transformou em um fator decisivo para a maioria na disputa presidencial.