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POLÍTICA

Natália Bonavides destinou emendas a ONG de Manuela D’Ávila que realizou evento com teor eleitoral

11/09/2026 - 20:45

Instituto fundado pela candidata ao Senado recebeu recursos de parlamentares nos últimos dois anos; parte do dinheiro financiou festival e podcast que tiveram participação de figuras políticas


Natália Bonavides destinou emendas a ONG de Manuela D’Ávila que realizou evento com teor eleitoral
O Instituto E Se Fosse Você?, ONG fundada pela ex-deputada e atual candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul Manuela D’Ávila (PSOL), recebeu cerca de R$ 4 milhões em emendas parlamentares desde 2025. Parte dos recursos foi utilizada em projetos que passaram a ser questionados por envolverem atividades com possível conteúdo político e eleitoral.


Um dos principais casos envolve o Festival MEL — Mulheres em Luta, realizado em maio deste ano. O evento recebeu R$ 950 mil provenientes de emendas parlamentares destinadas por Orlando Silva (PCdoB-SP), Natália Bonavides (PT-RN) e Juliana Cardoso (PT-SP).


Durante o festival, Manuela fez declarações relacionadas à sua candidatura ao Senado. Em determinado momento, afirmou estar “na luta contra a extrema-direita” e comentou sobre a possibilidade de ocupar uma cadeira no Senado.


Ao falar sobre a roupa azul que usava no evento, Manuela fez uma referência à cor predominante do Senado e afirmou: “Já estou me preparando para me confundir na paisagem”.


Na ocasião, entretanto, ainda não era permitido o pedido oficial de votos para as eleições de 2026.


Emendas também financiaram podcast

Outro projeto que entrou no radar dos questionamentos foi o podcast “ElaPod — Vozes das Mulheres”, apresentado por Manuela.


O programa recebeu R$ 100 mil por meio de uma emenda parlamentar da deputada federal Carol Dartora (PT-PR), em convênio com o Ministério da Igualdade Racial. O dinheiro foi destinado à produção de cinco episódios, o que representa um custo de R$ 20 mil por programa.


O podcast reúne mulheres ligadas à política e teve entre suas participantes nomes como Marina Silva, Áurea Carolina, Kátia Abreu e Joice Hasselmann. A própria Carol Dartora, autora da emenda que financiou a produção, também participou de um dos episódios.


Uma representação apresentada ao Tribunal de Contas da União questionou o uso dos recursos públicos. O documento argumenta que o programa teria relação direta com a imagem e a atuação política de sua apresentadora.


A representação também cita episódios nos quais participantes teriam manifestado apoio à candidatura de Manuela ao Senado. Em um deles, a deputada Fernanda Melchionna declarou apoio à eleição da ex-deputada.


ONG contesta questionamentos

Manuela D’Ávila afirmou que não recebeu nenhuma notificação sobre eventual investigação ou questionamento formal. Segundo ela, a organização possui atuação mais ampla e não utiliza as emendas exclusivamente no festival ou no podcast.


A ex-deputada também destacou que o instituto desenvolve projetos voltados ao enfrentamento da violência contra mulheres, clubes de leitura, ações culturais, acolhimento e orientação.


Segundo a defesa apresentada pela própria Manuela, a maior parte das atividades da entidade é mantida com recursos próprios, incluindo receitas provenientes da venda de livros e produtos.


A candidata também argumentou que o podcast foi criado com o objetivo de discutir temas relacionados às mulheres e à política, razão pela qual a presença de mulheres que atuam na vida pública faria parte da proposta do programa.


Recursos de diferentes parlamentares

Nos últimos dois anos, o instituto recebeu aproximadamente R$ 2,2 milhões em emendas de parlamentares de partidos de esquerda, além de outros R$ 1,7 milhão que ainda estão previstos para a organização.


A situação colocou a ONG no centro de uma discussão sobre os limites para utilização de recursos públicos em projetos desenvolvidos por entidades ligadas a políticos ou candidatos.


O caso também ganhou repercussão em meio ao aumento da fiscalização sobre emendas parlamentares e às investigações envolvendo outras organizações que receberam recursos públicos para projetos posteriormente questionados.


Até o momento, os questionamentos não significam comprovação de irregularidades. A utilização das verbas ainda poderá ser analisada pelos órgãos de controle, que deverão verificar se os recursos foram aplicados de acordo com os objetivos previstos nos convênios e projetos aprovados.



Fonte: Folha de SP