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CULTURA

Cine Rio Grande é aprovado por unanimidade para tombamento no RN

10/09/2026 - 18:11

Conselho Estadual de Cultura reconhece valor histórico e arquitetônico do antigo cinema, símbolo da modernidade e da identidade cultural de Natal


Cine Rio Grande é aprovado por unanimidade para tombamento no RN

O Conselho Estadual de Cultura aprovou, por unanimidade, o tombamento do Cine Rio Grande, em sessão realizada na terça-feira (8). A decisão representa um importante passo para a preservação de um dos imóveis de maior relevância histórica, cultural e arquitetônica do Rio Grande do Norte.


A aprovação ocorreu após análise do parecer da Câmara Técnica de Patrimônio Material, coordenada pelo conselheiro Ivan Lira de Carvalho. O relatório apresentado pelo conselheiro Manoel Onofre Neto recomendou a manutenção do processo de tombamento e rejeitou a impugnação apresentada pelo proprietário do imóvel.


Em sua análise, o relator destacou a importância histórica e arquitetônica da construção, considerada um marco da modernidade potiguar. O antigo cinema chama atenção pela volumetria diferenciada, que remete à imagem de uma grande embarcação, além de apresentar características associadas aos estilos escalonado e streamline, ligados à estética modernista e aerodinâmica.


As janelas em formato de escotilha e o frontal que remete à proa de um navio reforçam a identidade arquitetônica do edifício e fazem do antigo Cine Rio Grande um importante exemplar da Art Déco em Natal. Localizado na Avenida Deodoro, o imóvel também se tornou uma referência arquitetônica da região da Cidade Alta e um elemento importante da memória cultural da capital potiguar.


Um símbolo da história de Natal

O Cine Rio Grande foi inaugurado em 11 de fevereiro de 1949, em uma época de transformação urbana e modernização de Natal. A construção foi concebida para representar os novos tempos e rapidamente se tornou um dos principais espaços de entretenimento da cidade.


Durante décadas, o cinema foi ponto de encontro de gerações de natalenses e um dos principais redutos dos admiradores da sétima arte na capital. O espaço chegou a receber até 1.600 pessoas e, além das sessões cinematográficas, também contou em seus primeiros anos com serviços de sorveteria, bar, bombonière e night-club. Prefeitura Municipal do Natal


Por mais de 40 anos, o Cine Rio Grande esteve integrado à vida cultural de Natal, formando gerações de espectadores e ocupando lugar de destaque na paisagem da Avenida Deodoro. O prédio passou a ser reconhecido não apenas como uma antiga sala de cinema, mas como um verdadeiro lugar de memória da cidade.


O cinema permaneceu em atividade até o final dos anos 1990. A partir de 2009, o espaço passou a ser utilizado como templo religioso, mas a mudança de função não eliminou as principais características arquitetônicas originais do imóvel.


O próprio relatório do Conselho Estadual de Cultura ressalta a dimensão do edifício e sua importância para a história do Estado. Segundo o documento, a construção apresenta uma volumetria imponente, associada à imagem de uma grande embarcação, e reúne elementos de inovação estética que marcaram a arquitetura moderna.


Processo de tombamento começou em 2022

O processo de tombamento foi iniciado em 23 de maio de 2022, a partir de uma solicitação apresentada por Ormuz Barbalho Simonetti. Desde então, a proposta passou por etapas de análise técnica e apreciação pelo Conselho Estadual de Cultura.


Com a aprovação unânime dos conselheiros, o processo retorna agora para a Fundação José Augusto, onde seguirá o fluxo administrativo necessário para a conclusão do tombamento.


A decisão reforça a importância da preservação do patrimônio arquitetônico potiguar e representa um reconhecimento institucional da relevância histórica do Cine Rio Grande. Mais de sete décadas depois de sua inauguração, o edifício permanece como uma das marcas da transformação urbana e cultural de Natal.


O tombamento poderá garantir maior proteção ao imóvel e contribuir para preservar para as próximas gerações um dos exemplares mais emblemáticos da arquitetura Art Déco e da história cultural da capital potiguar.