Walfredo Gurgel pode ter paralisação de médicos após meses de pagamentos atrasados
Sindicato alerta para risco de desfalque nas UTIs, enquanto Conselho Regional de Medicina aponta falta de medicamentos, insumos e profissionais na rede estadual
Médicos que trabalham em unidades de terapia intensiva do Rio Grande do Norte podem paralisar as atividades devido a atrasos nos pagamentos. O alerta foi feito pelo Sindicato dos Médicos do RN (Sinmed-RN), que aponta dificuldades que podem comprometer a formação das escalas e, consequentemente, o atendimento aos pacientes.
No Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, profissionais intensivistas chegaram a acumular meses de pagamentos atrasados. A dívida chegou a ser estimada em cerca de R$ 6 milhões.
Uma paralisação chegou a ser cogitada para o início de setembro, mas acabou não acontecendo depois que o Governo do Estado efetuou pagamentos referentes aos meses de março e abril. Mesmo assim, o sindicato afirma que a situação ainda exige uma solução definitiva.
Risco para o funcionamento das UTIs
De acordo com o Sinmed-RN, a falta de regularidade nos pagamentos pode provocar a saída de médicos e dificultar ainda mais o preenchimento das escalas. A preocupação é especialmente grande no Walfredo Gurgel, onde um eventual desfalque de intensivistas pode comprometer o funcionamento de uma das UTIs da unidade.
O problema, segundo a entidade, não está restrito à capital. Outros hospitais também dependem de profissionais terceirizados para completar os plantões e enfrentam dificuldades semelhantes.
Entre as unidades citadas estão os hospitais Santa Catarina e Deoclécio Marques, além de serviços localizados no interior do estado.
Cremern também aponta problemas na rede
Além dos atrasos nos pagamentos, o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (Cremern) relata dificuldades relacionadas à falta de medicamentos, insumos e profissionais em diferentes unidades da rede estadual.
O cenário aumenta a preocupação das entidades médicas, que alertam para os efeitos que a combinação de falta de pessoal, problemas de abastecimento e atrasos financeiros pode provocar na assistência aos pacientes.
A situação se soma a outros episódios recentes envolvendo hospitais que prestam serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS). No fim de julho, unidades privadas conveniadas ao Governo do Estado chegaram a anunciar uma paralisação dos atendimentos por causa de atrasos nos repasses.
Os serviços foram normalizados depois que o Executivo estadual realizou pagamentos que ultrapassaram R$ 17 milhões.
Sindicato cobra regularidade nos pagamentos
Para o Sinmed-RN, a liberação pontual de recursos não resolve o problema. A entidade defende que o Estado estabeleça um fluxo regular de pagamentos para evitar que os profissionais voltem a acumular meses de valores pendentes.
A preocupação é que novos atrasos agravem a dificuldade de preencher os plantões e levem médicos a deixar os serviços, aumentando a pressão sobre uma rede que já enfrenta problemas na composição das escalas.
O sindicato acompanha a situação e avalia novas medidas caso os pagamentos não sejam normalizados.
A discussão envolve não apenas a remuneração dos profissionais, mas também a capacidade de manter UTIs e outros setores hospitalares funcionando com equipes completas. Para as entidades médicas, uma solução para os atrasos é necessária para evitar que a crise financeira dos serviços terceirizados acabe atingindo diretamente os pacientes atendidos pela rede pública.