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Walfredo Gurgel pode ter paralisação de médicos após meses de pagamentos atrasados

10/09/2026 - 08:07

Sindicato alerta para risco de desfalque nas UTIs, enquanto Conselho Regional de Medicina aponta falta de medicamentos, insumos e profissionais na rede estadual


Walfredo Gurgel pode ter paralisação de médicos após meses de pagamentos atrasados
Médicos que trabalham em unidades de terapia intensiva do Rio Grande do Norte podem paralisar as atividades devido a atrasos nos pagamentos. O alerta foi feito pelo Sindicato dos Médicos do RN (Sinmed-RN), que aponta dificuldades que podem comprometer a formação das escalas e, consequentemente, o atendimento aos pacientes.


No Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, profissionais intensivistas chegaram a acumular meses de pagamentos atrasados. A dívida chegou a ser estimada em cerca de R$ 6 milhões.


Uma paralisação chegou a ser cogitada para o início de setembro, mas acabou não acontecendo depois que o Governo do Estado efetuou pagamentos referentes aos meses de março e abril. Mesmo assim, o sindicato afirma que a situação ainda exige uma solução definitiva.


Risco para o funcionamento das UTIs

De acordo com o Sinmed-RN, a falta de regularidade nos pagamentos pode provocar a saída de médicos e dificultar ainda mais o preenchimento das escalas. A preocupação é especialmente grande no Walfredo Gurgel, onde um eventual desfalque de intensivistas pode comprometer o funcionamento de uma das UTIs da unidade.


O problema, segundo a entidade, não está restrito à capital. Outros hospitais também dependem de profissionais terceirizados para completar os plantões e enfrentam dificuldades semelhantes.


Entre as unidades citadas estão os hospitais Santa Catarina e Deoclécio Marques, além de serviços localizados no interior do estado.


Cremern também aponta problemas na rede

Além dos atrasos nos pagamentos, o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (Cremern) relata dificuldades relacionadas à falta de medicamentos, insumos e profissionais em diferentes unidades da rede estadual.


O cenário aumenta a preocupação das entidades médicas, que alertam para os efeitos que a combinação de falta de pessoal, problemas de abastecimento e atrasos financeiros pode provocar na assistência aos pacientes.


A situação se soma a outros episódios recentes envolvendo hospitais que prestam serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS). No fim de julho, unidades privadas conveniadas ao Governo do Estado chegaram a anunciar uma paralisação dos atendimentos por causa de atrasos nos repasses.


Os serviços foram normalizados depois que o Executivo estadual realizou pagamentos que ultrapassaram R$ 17 milhões.


Sindicato cobra regularidade nos pagamentos

Para o Sinmed-RN, a liberação pontual de recursos não resolve o problema. A entidade defende que o Estado estabeleça um fluxo regular de pagamentos para evitar que os profissionais voltem a acumular meses de valores pendentes.


A preocupação é que novos atrasos agravem a dificuldade de preencher os plantões e levem médicos a deixar os serviços, aumentando a pressão sobre uma rede que já enfrenta problemas na composição das escalas.


O sindicato acompanha a situação e avalia novas medidas caso os pagamentos não sejam normalizados.


A discussão envolve não apenas a remuneração dos profissionais, mas também a capacidade de manter UTIs e outros setores hospitalares funcionando com equipes completas. Para as entidades médicas, uma solução para os atrasos é necessária para evitar que a crise financeira dos serviços terceirizados acabe atingindo diretamente os pacientes atendidos pela rede pública.