Hotelaria cobra reforço na segurança após série de assaltos a turistas em Pipa
Empresários pedem ações permanentes das forças de segurança para proteger visitantes e preservar a imagem de um dos principais destinos turísticos do Rio Grande do Norte
Representantes do setor hoteleiro de Pipa se reuniram com autoridades do Rio Grande do Norte para pedir o reforço da segurança no distrito de Tibau do Sul. A mobilização ocorre após uma sequência de assaltos envolvendo turistas e diante da preocupação com os possíveis impactos dos crimes sobre o turismo da região.
O encontro reuniu o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio Grande do Norte (ABIH-RN), Edmar Gadelha, empresários e representantes das forças de segurança. A reunião foi intermediada pelo deputado estadual Luiz Eduardo.
A cobrança ocorreu poucos dias depois de cinco turistas serem vítimas de um assalto à mão armada. O crime aconteceu na madrugada de sábado (5), quando o grupo voltava de uma festa em um carro de transporte por aplicativo. Segundo o relato de uma das vítimas, os criminosos estavam em duas motocicletas e um automóvel. Pelo menos três deles estavam armados.
Setor teme impacto sobre o turismo
Para os empresários, os casos reforçam a necessidade de manter ações preventivas de forma permanente, principalmente nos períodos de maior movimento.
Pipa recebe turistas brasileiros e estrangeiros durante todo o ano e movimenta uma extensa cadeia econômica, que inclui hotéis, pousadas, restaurantes, bares, comércio, transporte e empresas de passeios.
A preocupação é que a repetição de crimes contra visitantes provoque uma percepção de insegurança e acabe influenciando a escolha de turistas que pretendem viajar para o Rio Grande do Norte.
O presidente da ABIH-RN afirmou que Pipa possui reconhecimento nacional e internacional e que moradores, trabalhadores e visitantes precisam ter condições de circular com tranquilidade.
Apesar dos episódios recentes, os representantes da hotelaria também reconheceram o trabalho das polícias Militar e Civil em Tibau do Sul. Para o setor, entretanto, a movimentação turística exige uma estrutura de segurança capaz de acompanhar o fluxo de visitantes durante todo o ano.
Durante a reunião, o secretário estadual da Segurança Pública e da Defesa Social, coronel Araújo, ouviu as reivindicações dos empresários e se comprometeu a reforçar as ações de inteligência e as estratégias de policiamento na região.
A proposta defendida pela hotelaria é estabelecer uma atuação contínua, e não apenas responder às ocorrências depois que os crimes acontecem. Para os empresários, a segurança deve ser tratada como parte da infraestrutura necessária para garantir a competitividade turística de Pipa.
Outros casos já haviam sido registrados
O assalto ocorrido no último sábado não foi o primeiro caso envolvendo turistas registrado neste ano.
Em junho, um visitante de Santa Catarina relatou ter sido assaltado por dois homens nas proximidades de um empreendimento turístico. Na ocasião, foram levados um cordão de ouro, dois anéis e duas pulseiras. Um vendedor que estava no local também teve o celular roubado.
Poucos dias depois, outro turista relatou dificuldades para registrar um boletim de ocorrência após encontrar a delegacia de Tibau do Sul sem atendimento.
Ainda em junho, a Polícia Civil divulgou imagens de dois homens investigados por roubos contra turistas durante o feriado e pediu ajuda da população para identificá-los.
Segurança também preocupa pela economia
Além dos crimes contra visitantes, as forças de segurança vêm realizando operações contra grupos criminosos na região.
Em agosto, três adultos foram presos e quatro adolescentes apreendidos durante uma ação de combate ao tráfico de drogas em Pipa. A Polícia Civil também realiza operações voltadas ao combate ao tráfico, homicídios e organizações criminosas em Tibau do Sul.
Para os empresários, o objetivo agora é evitar que os casos registrados provoquem uma percepção generalizada de insegurança sobre o destino.
A preocupação ultrapassa a questão policial. Como grande parte da economia de Pipa depende diretamente da chegada de visitantes, a manutenção de um ambiente seguro é considerada fundamental para preservar o turismo, os empregos e os negócios que movimentam um dos destinos mais conhecidos do litoral potiguar.