Mario Frias e produtora de “Dark Horse” são alvos de operação da PF
Operação cumpre mandados contra suspeitos de desviar recursos de emendas parlamentares destinados à produção do filme sobre Jair Bolsonaro
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) uma operação para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos destinados à produção do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou que a investigação que estava sendo conduzida pela Polícia Civil de São Paulo passasse para a esfera do Supremo.
Ao todo, são cumpridos cerca de 50 mandados de busca e apreensão em diferentes estados. Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias e Karina Gama, produtora responsável pelo filme.
Segundo as investigações, os recursos de emendas parlamentares destinados formalmente a determinadas atividades podem ter sido utilizados de maneira irregular. A suspeita é de que parte do dinheiro tenha sido desviada por meio de contratos com empresas ligadas à produção do longa-metragem.
Investigação envolve empresas e recursos públicos
A Polícia Federal apura a possível existência de um esquema envolvendo agentes públicos e empresários. Os investigadores analisam contratos, movimentações financeiras e a utilização dos recursos públicos destinados ao projeto.
A apuração também busca identificar se houve desvio de finalidade na aplicação das emendas parlamentares e eventual utilização de empresas intermediárias para movimentar os valores.
Karina Gama, uma das principais pessoas investigadas, afirmou que os recursos foram aplicados corretamente e negou ter irregularidades a esclarecer.
Caso está no centro da crise do STF
A operação ganhou ainda mais relevância porque o caso “Dark Horse” está diretamente relacionado à recente disputa entre ministros do Supremo envolvendo o comando da Polícia Federal.
Na quarta-feira (9), Flávio Dino determinou a recondução de Andrei Rodrigues à direção-geral da PF e de Leandro Almada à Diretoria de Inteligência da corporação. Dino justificou a decisão afirmando que o afastamento dos dois poderia prejudicar investigações em andamento, entre elas a apuração sobre o financiamento do filme.
Andrei Rodrigues havia sido afastado anteriormente por decisão de André Mendonça, que apontou suspeitas envolvendo relatórios de inteligência produzidos pela Polícia Federal.
A decisão de Dino acabou sendo posteriormente suspensa pelo presidente do STF, Edson Fachin, que também suspendeu a decisão de Mendonça e levou o conflito para análise da Presidência da Corte e, posteriormente, do Plenário.
Operação ocorre em meio a disputa no Supremo
A nova operação coloca novamente o caso “Dark Horse” no centro da crise institucional que envolve diferentes ministros do STF.
A investigação busca esclarecer se recursos públicos destinados ao projeto foram utilizados de acordo com sua finalidade e se houve participação de agentes públicos ou privados em eventuais irregularidades.
As suspeitas ainda estão sendo apuradas pela Polícia Federal e não representam, neste momento, condenação dos investigados.