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CRÔNICAS

Figura relevante da Swinging London (a cena da revolução cultural da capital), ela atuou na TV, no teatro, apareceu no filme Alfie e foi dançarina no programa televisivo musical Ready Steady Go! qu

14/08/2026 - 00:42
Figura relevante da Swinging London (a cena da revolução cultural da capital), ela atuou na TV, no teatro, apareceu no filme Alfie e foi dançarina no programa televisivo musical Ready Steady Go! qu

Em 17 de dezembro de 1962, um jovem e desconhecido Bob Dylan desembarcou no aeroporto de Londres e foi recebido pelo casal Philip Saville e Pauline Boty, ele cineasta e ela artista plástica. O noviço cantor de folk foi participar de uma peça na BBC, escrita por Saville, onde tocou quatro canções como trilha sonora. Perto do natal, ele cantou no badalado pub King & Queen.

Aquela primeira travessia de Dylan moldou profundamente sua carreira, já que testemunhou o momento mais fértil e revolucionário da cena cultural britânica. Durante a estadia londrina, ficou hospedado no apartamento de Pauline, que era então a pioneira do movimento Pop Art iniciado nos anos 1950 pelo pintor Richard Hamilton e que depois se consolidaria nos EUA com Andy Warhol.

A bela loura foi sua guia, apresentando o cantor de Minnesota a Londres antes de ele alcançar fama internacional. Pauline já era uma pioneira artística. Pintora, artista de colagens e a única mulher cofundadora da Pop Art britânica.

Figura relevante da Swinging London (a cena da revolução cultural da capital), ela atuou na TV, no teatro, apareceu no filme Alfie e foi dançarina no programa televisivo musical Ready Steady Go! que foi ao ar entre os anos 1963 e 1966.

Nascida em Croydon, no sul de Londres, em 6 de março de 1938, Pauline iniciou a trajetória artística após ganhar uma bolsa de estudos para a Wimbledon School of Art em 1954. Lá foi apelidada de “Bardot de Wimbledon”.

O batismo no ambiente estudantil tinha tudo a ver com a sua notável anatomia que remetia ao fenômeno francês do cinema, Brigitte Bardot. Aos 20 anos, ela emergiu como musa e precursora no cenário da Pop Art no Reino Unido.

Seu portfólio era versátil e incluía pinturas, colagens e vitrais. Sua obra irradiava feminilidade real e explorava temas da sexualidade feminina com ousadia e talento. Mas ela ficou desconhecida nos anais da história da arte.

Pauline foi a face do espírito de sua época, os agitados anos 1960. Como Marilyn Monroe, que aparece em suas pinturas, ela viveu o dilema da mulher bonita daquele período, para quem talento e beleza eram incompatíveis. Oriunda de uma família conservadora, católica e de classe média, ela foi criada no subúrbio de Carshalton, no sul de Londres, com três irmãos. Era talentosa, mas nos anos 1950 os pais não necessariamente valorizavam uma menina.

E quando ganhou uma bolsa de estudos, seu pai não queria que ela aceitasse. Mas ela aceitou, e rapidamente se tornou a estrela dos criadores de vitrais. Extremamente linda, ao estilo loiro e voluptuoso da época, caiu nas graças de um professor que enxergou além da aparência e apoiou suas ambições. Só que como o vitral não era vanguarda em Londres ela ficou marginalizada.

Então um novo radicalismo surgiu com a primeira marcha da Campanha pelo Desarmamento Nuclear e dentro dela artistas do movimento “Anti-Feio” que combatiam a reconstrução da Londres bombardeada com prédios comerciais. Naquele tumulto, uma loirinha bela, gostosa e falastrona caiu no gosto da mídia que dava publicidade ao movimento. E Pauline Boty teve seu rosto estampado em capas e páginas, sendo a mais procurada e entrevistada pela imprensa.

Nas noites natalinas de Londres em 1962, Bob Dylan foi levado por ela aos redutos do folk no Soho, aos pubs do rock em clima de Beatles e Rolling Stones, se conectando com músicos e expandindo o seu próprio repertório. Neste agosto faz 60 anos que a Pop Art perdeu sua diva, sua pioneira, morta em 1966 com apenas 28 anos. No livro “O Feminismo Reenquadrado”, de Alexandra Kokoli, destaca a bela mulher que se antecipou a Andy Warhol.