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CRÔNICAS

O terrorista companheiro acuado

09/09/2026 - 10:15

Figura chave do narcotráfico venezuelano, Cabello está sem destino

O terrorista companheiro acuado

O ministro de Interior e Justiça da Venezuela, Diosdado Cabello, e um dos chefões do narcotráfico como braço direito de Nicolás Maduro, é atualmente um homem sem destino. A CIA teria dado prazo para que ele saísse do país antes de executar uma ordem de captura direta da Casa Branca. Os EUA mantêm, oficialmente, uma recompensa de até US$ 25 milhões por informações que levem à prisão ou condenação dele, acusado de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e delitos com armas no âmbito do chamado Cartel de los Soles.



Após o terremoto de junho na Venezuela, autoridades americanas trabalharam com o aparato de segurança que Cabello controla. Marco Rubio, secretário de Estado, repetiu em maio que a política “não mudou” e que Cabello segue considerado narcoterrorista. Cabello é o último grande obstáculo chavista com poder de rua: polícia, inteligência, militância. Mas o cerco jurídico-político se aperta. O Chile, por exemplo, o acusa de ter contratado o Trem de Arágua para assassinatos.



A captura de Maduro foi apresentada por Trump como afirmação de domínio no hemisfério, o que ele próprio chama remake da “Doutrina Monroe”, reimplantando a influência dos anos 60 com combate ao narcotráfico e migração irregular.


Marco Rubio iniciou em 8 de setembro um giro de três dias pela Colômbia, Equador e Peru, países com governos agora alinhados a Washington. Em Barranquilla encontra o novo presidente colombiano Abelardo de la Espriella. Segue para Quito onde conversa com Daniel Noboa e depois vai à Lima tricotar com Keiko Fujimori. A pauta oficial é cooperação contra o “narcoterrorismo”, relações comerciais mais profundas e apoio à reconstrução na Colômbia.



O roteiro exclui Brasil, Chile e Argentina. O Departamento de Estado descreve a viagem como reforço de parcerias-chave numa região em que vários eleitores recentes favoreceram opções próximas a Donald Trump e suas ideias. A Casa Branca celebra o giro à direita em partes da América do Sul e do Caribe e trata a Venezuela pós-Maduro como laboratório: estabilidade primeiro, eleições depois, se e quando convier. E Cabello personifica uma tática. Ele é útil para manter a ordem no curto prazo, inconveniente para qualquer narrativa de transição democrática er ncompatível, no papel, com a recompensa de 25 milhões. Diversos países não querem lhe dar abrigo.



Na Espanha, o governo de Pedro Sánchez que governa em minoria, não quer arriscar mais uma provocação a Trump. Madrid está sem orçamento novo aprovado, sob pressão da crise migratória em Ceuta e oposição renovada. No México, Claudia Sheinbaum condenou a intervenção americana na Venezuela em nome da soberania e da não-ingerência, mas não arrisca oferecer guarida a Cabello, para não aumentar atritos com Washington. Quanto a Cuba, o presidente Díaz-Canel enfrenta agravamento econômico, sanções endurecidas e saídas de cadeias hoteleiras. O discurso oficial é de resistência, não de queda do presidente. E Trump promete intervenção logo.




E a Rússia que foi aliada histórica de Caracas no chavismo, esfriou a relação nestes tempos pós-Maduro. Vladimir Putin tem problemas maiores na Ucrânia e não quer agravar descontentamentos dos EUA e alguns países europeus. Já o Brasil, do companheiro Lula, uma porta aberta agora é risco futuro. Os petistas até aceitam receber o chavista, mas as pesquisas não garantem bom futuro para Lula, ainda mais com a crise no STF e a rejeição ´popular nas alturas. Sem falar na sombra de Marco Rubio refletida na vizinhança.