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Mendonça afasta diretor-geral da PF

08/09/2026 - 12:32

Ministro do STF afirma que Andrei Rodrigues e o diretor de Inteligência da corporação podem ter interferido em investigações e determinado monitoramento ilegal de autoridades



Mendonça afasta diretor-geral da PF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta terça-feira (8) o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa.


A decisão ocorreu após Mendonça analisar relatórios produzidos pela área de inteligência da PF que foram utilizados pelo ministro Alexandre de Moraes para solicitar uma investigação contra ele.


Segundo Mendonça, os documentos apresentam uma série de irregularidades e indicam que autoridades teriam sido monitoradas de maneira sistemática e sem justificativa legal.


Entre os principais argumentos apresentados pelo ministro está a existência de pelo menos seis relatórios produzidos entre os dias 3 e 31 de agosto com informações sobre sua atuação e a do advogado-geral da União, Jorge Messias.


Mendonça afirma que os documentos não possuem assinatura, timbre ou numeração que permitam identificar adequadamente sua autoria e origem. O próprio material seria classificado como documento de trabalho, sem valor probatório e com baixo grau de confiabilidade.


Mesmo com essas ressalvas, os relatórios teriam recomendado o monitoramento e a coleta de informações sobre Mendonça e Messias.


Um dos pontos que mais chamou a atenção do ministro foi a tentativa de estabelecer uma relação entre as decisões de Mendonça e Messias e o fato de ambos serem evangélicos. Segundo a análise da inteligência da PF, os dois teriam uma “matriz religiosa comum” que poderia explicar determinadas decisões institucionais.


Mendonça considerou essa associação inadequada e afirmou que ela não poderia ser utilizada como fundamento para analisar decisões jurídicas e administrativas.


Outro ponto citado na decisão envolve o acesso a informações protegidas por segredo de Justiça. De acordo com o ministro, os relatórios teriam mencionado investigações e medidas sigilosas ainda em andamento, inclusive envolvendo possíveis operações contra autoridades e políticos.


Para Mendonça, a divulgação dessas informações poderia comprometer futuras diligências da Polícia Federal ao permitir que pessoas investigadas tivessem conhecimento antecipado de medidas que ainda estavam sob sigilo.


O ministro também questionou a atuação da Diretoria de Inteligência da PF na análise de decisões tomadas pelo Judiciário e pela Advocacia-Geral da União.


Na avaliação de Mendonça, a área de inteligência teria ultrapassado suas atribuições ao realizar uma espécie de fiscalização sobre decisões de magistrados, integrantes da advocacia pública e até mesmo agentes responsáveis por investigações policiais.


Além das acusações relacionadas aos relatórios, Mendonça afirmou que a permanência de Andrei Rodrigues e Leandro Almada nos cargos poderia representar risco para as próprias investigações que deverão apurar quem produziu, autorizou e compartilhou os documentos.


Por isso, determinou também que a Corregedoria da Polícia Federal abra procedimentos para investigar possíveis responsabilidades nas esferas criminal e administrativa.


O ministro ainda determinou a suspensão imediata da produção e circulação de relatórios de inteligência destinados a analisar a atuação de magistrados, integrantes da advocacia pública ou agentes envolvidos em investigações policiais.


A decisão de Mendonça foi submetida à Segunda Turma do STF. Os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques acompanharam o relator, formando maioria para manter o afastamento. O ministro Gilmar Mendes pediu vista do processo, interrompendo temporariamente o julgamento.


O episódio representa mais um capítulo da crise envolvendo integrantes do Supremo, a Polícia Federal e as investigações relacionadas ao Banco Master.


A disputa ganhou força depois que Mendonça determinou a divulgação de documentos relacionados às investigações sobre o banqueiro Daniel Vorcaro e possíveis relações com o ministro Alexandre de Moraes.


Moraes, por sua vez, utilizou os relatórios da Polícia Federal para pedir uma investigação contra Mendonça, acusando-o de possíveis irregularidades na condução de investigações relacionadas ao Banco Master e às fraudes envolvendo o INSS.


O conflito entre os dois ministros elevou a tensão dentro do Supremo e passou a envolver também a direção da Polícia Federal, aumentando a preocupação sobre os limites entre a atuação do Judiciário, da polícia e dos órgãos de investigação.


A crise ocorre ainda em meio à campanha eleitoral de 2026, tornando o episódio politicamente ainda mais sensível