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CIÊNCIA

Erosão ameaça quase 40 praias no RN

05/09/2026 - 08:57

Problema costeiro requer cuidados urgentes no litoral potiguar

Erosão ameaça quase 40 praias no RN

O litoral do Rio Grande do Norte enfrenta um dos cenários mais críticos de erosão costeira do Brasil. Estudos apontam que 39 praias estão sob risco iminente, com recuos da linha de costa que chegam a superar 5 metros por ano em trechos mais vulneráveis. A taxa média de erosão nas praias potiguares varia entre 1,2 e 1,6 metro por ano, bem acima da média mundial de 0,5 metro anual para praias arenosas. Em municípios como São Miguel do Gostoso, Caiçara, Touros, Galinhos, Macau e Areia Branca, o processo é ainda mais acelerado, com perdas de 5 a 6 metros de faixa de areia a cada 12 meses.



O problema não se restringe ao interior do estado. Na Região Metropolitana de Natal, a erosão já afeta fortemente a Praia de Ponta Negra, principal cartão-postal da capital, e outras áreas urbanas consolidadas. Relatórios técnicos indicam que cerca de 60% da costa potiguar — que se estende por aproximadamente 410 km — apresenta sinais de erosão ativa. 
Entre as causas estão a dinâmica natural da costa, a redução no suprimento de sedimentos, a ocupação desordenada e intervenções humanas inadequadas, como construção de muros, espigões e enrocamentos, que podem intensificar o recuo da linha de praia em vez de contê-lo.



O avanço do mar coloca em risco não apenas o turismo, mas também infraestruturas públicas e privadas, incluindo vias, redes de esgoto, energia e edificações à beira-mar. Em alguns pontos, como na Via Costeira de Natal, o Ministério Público Federal já acionou a Justiça para impedir novas licenças de construção e exigir planos de proteção ambiental, alertando para danos irreversíveis.



Monitoramentos realizados entre 2012 e 2024 mostram retrações de linha de costa de até 25rnmetros por ano em áreas de Touros, evidenciando a urgência de medidas de adaptação. Especialistas da UFRN reforçam que, sem ações integradas de gestão costeira, a tendência é de agravamento nos próximos anos, com perda de qualidade das praias e colapso de trechos urbanos.



A solução passa por combinar políticas públicas, ordenamento territorial, restauração de ecossistemas de proteção (como restingas e dunas) e, quando necessário, intervenções baseadas em evidências científicas. Pesquisadores alertam que obras de “engorda” de praia, sem planejamento, têm se mostrado ineficazes e podem até piorar a erosão a médio prazo. 
Com 39 praias ameaçadas, o RN precisa de um plano estadual de adaptação costeira, articulando municípios, órgãos ambientais e a sociedade, para evitar que o avanço do mar transforme áreas de lazer e moradia em zonas de risco.