Valdemar desafia fenômeno Cury e aposta: é apenas um “voo de galinha”
Salto de Augusto Cury nas pesquisas acende alerta nos bastidores da campanha de Flávio Bolsonaro, mas comando do PL minimiza avanço e diz não enxergar risco à vaga no segundo turno.
O crescimento de Augusto Cury nas pesquisas presidenciais divulgadas nesta segunda-feira (31) passou a ser acompanhado de perto pelas principais campanhas, mas dirigentes ligados ao campo bolsonarista procuram minimizar o avanço do candidato do Avante.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou à CNN que não considera Cury uma ameaça à candidatura de Flávio Bolsonaro e avaliou que o crescimento apresentado pelo candidato pode não se sustentar até o fim do primeiro turno.
Nos bastidores da campanha de Flávio, o movimento vem sendo tratado com cautela e chegou a ser descrito como um possível “voo de galinha”, expressão utilizada para indicar um crescimento rápido, mas que poderia perder força em pouco tempo.
A avaliação é de que Cury ainda possui uma distância considerável dos dois principais candidatos e enfrenta o desafio de transformar o crescimento registrado nas pesquisas em uma estrutura eleitoral capaz de disputar efetivamente uma vaga no segundo turno.
Os números, entretanto, chamaram atenção.
Na pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira, Augusto Cury aparece com 11% das intenções de voto, depois de registrar apenas 2% no levantamento anterior.
Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, também divulgada hoje, Cury chegou a 7,8%, contra 1,6% no levantamento anterior. O candidato passou a disputar a terceira posição com Renan Santos, que aparece com 7,6%.
O crescimento simultâneo em dois levantamentos diferentes aumentou a exposição de Cury e fez com que sua candidatura passasse a ocupar um espaço maior no debate eleitoral.
Redes sociais impulsionam candidatura
Outro fator que chamou a atenção das campanhas é o crescimento da presença de Cury nas redes sociais.
A candidatura vem registrando aumento expressivo no número de seguidores e no alcance de vídeos e conteúdos relacionados à campanha. A equipe do candidato afirma que o crescimento representa uma reação espontânea de eleitores que procuram uma alternativa à polarização entre Lula e Bolsonaro.
O marqueteiro da campanha, Sérgio Lima, também rebateu a avaliação de que o crescimento seria apenas momentâneo. Segundo ele, os ataques recebidos de setores da direita e da esquerda acabaram aumentando a exposição do candidato.
A campanha de Cury tenta aproveitar o momento para apresentar o candidato como uma alternativa aos dois principais polos da eleição.
Polarização ainda domina disputa
Apesar do crescimento de Cury, os números das pesquisas mostram que Lula e Flávio Bolsonaro continuam muito à frente no primeiro turno.
Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, Lula aparece com 43,4%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 33,7%. Cury tem 7,8%.
No levantamento BTG/Nexus, Lula registra 39%, Flávio aparece com 33% e Cury chega a 11%.
Os dados indicam que Cury ainda precisaria crescer de maneira significativa para ameaçar diretamente os dois primeiros colocados.
A grande questão para as próximas semanas será saber se o avanço representa uma tendência consistente ou apenas uma onda passageira.
Caso consiga manter o crescimento e ampliar sua presença entre diferentes segmentos do eleitorado, Cury poderá alterar a dinâmica da eleição e aumentar a disputa pela segunda vaga do segundo turno.
Por enquanto, Valdemar Costa Neto e aliados de Flávio Bolsonaro apostam que o fenômeno perderá força. A campanha de Cury, por outro lado, tenta provar que o que está acontecendo não é um “voo de galinha”, mas o início de uma mudança mais profunda no cenário eleitoral.