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Botafogo presta homenagem a Marcos Penido, jornalista esportivo que morreu aos 74 anos

29/08/2026 - 23:45

O Botafogo lamentou neste sábado (29) a morte do jornalista esportivo Marcos Penido, aos 74 anos, no Rio de Janeiro. Torcedor do clube e um dos nomes conhecidos da imprensa esportiva carioca, Penido teve uma carreira de mais de quatro décadas dedicada ao futebol.

Botafogo presta homenagem a Marcos Penido, jornalista esportivo que morreu aos 74 anos

Marcos Penido, o “Penidão”: uma vida dedicada ao jornalismo esportivo e ao futebol


O jornalismo esportivo brasileiro perdeu neste sábado (29) um de seus profissionais mais experientes. Marcos Penido morreu aos 74 anos, no Rio de Janeiro, após um quadro de insuficiência cardíaca.


Conhecido carinhosamente nas redações como “Penidão”, Penido construiu uma carreira marcada por grandes coberturas, reportagens investigativas e uma relação de décadas com o futebol. Foram mais de três décadas acompanhando de perto jogadores, clubes, Copas do Mundo e alguns dos acontecimentos mais importantes do esporte brasileiro.


O início da carreira

Marcos Penido começou sua trajetória no jornalismo no fim da década de 1970. No início dos anos 1980, trabalhava no Jornal do Brasil e teve a oportunidade de participar da cobertura da Copa do Mundo de 1982, realizada na Espanha.


Aquele Mundial seria o primeiro de uma sequência impressionante. Penido esteve presente em nove Copas do Mundo consecutivas, entre 1982 e 2014, acompanhando mais de três décadas de transformações no futebol internacional e também no próprio jornalismo esportivo.


A cobertura da Copa de 1982 também lhe rendeu o primeiro Prêmio Esso de Jornalismo, uma das mais importantes premiações da imprensa brasileira.


32 anos em O Globo

Em 1983, Penido passou a integrar a equipe de O Globo, onde permaneceu por 32 anos, até 2015. Foi nesse período que consolidou seu nome como um dos principais repórteres esportivos do Rio de Janeiro.


Mais do que acompanhar partidas, Penido era reconhecido pelo trabalho de reportagem e pela busca por informações nos bastidores. Colegas o descreviam como um profissional dedicado à apuração e à descoberta de notícias.


Sua carreira também foi marcada por uma importante atuação investigativa.

Em 1994, Penido integrou a equipe que revelou um esquema de manipulação de resultados envolvendo a arbitragem do futebol carioca. A investigação mostrou uma articulação que pretendia interferir em partidas do Campeonato Carioca. O trabalho teve grande repercussão e rendeu a Penido e aos demais jornalistas envolvidos o Prêmio Esso de Informação Esportiva.


A reportagem é lembrada como um dos trabalhos mais importantes da carreira do jornalista, justamente por mostrar que o jornalismo esportivo poderia ir muito além da cobertura dos jogos e atuar também na investigação de problemas que atingiam diretamente o futebol.


Nove Copas do Mundo

A presença em nove Mundiais é um dos maiores marcos da trajetória de Marcos Penido. Ele começou em 1982, na Espanha, e encerrou a sequência em 2014, justamente quando a Copa foi realizada no Brasil.


Durante esse período, acompanhou diferentes gerações da Seleção Brasileira e testemunhou mudanças profundas no futebol mundial, desde a transformação das transmissões esportivas até a profissionalização cada vez maior dos clubes e das competições.

Foram 32 anos entre a primeira e a nona Copa, uma experiência que poucos jornalistas brasileiros conseguiram construir.


O Botafogo como paixão

Apesar da necessidade de manter a imparcialidade profissional, Marcos Penido nunca escondeu sua paixão pelo Botafogo. Uma das histórias mais marcantes de sua carreira aconteceu justamente em 1995, quando era responsável pela cobertura diária do clube para O Globo.


Naquele ano, o Botafogo disputou o Campeonato Brasileiro e chegou à decisão contra o Santos. Penido acompanhou toda a campanha de perto e viveu uma situação incomum na partida decisiva.


Nos minutos finais da final disputada no Pacaembu, com o Santos pressionando, o jornalista não conseguiu continuar olhando para o campo. Virou-se de costas para o jogo, tamanha era a tensão. Quando voltou a olhar, o Botafogo havia conquistado o título brasileiro.


Depois da partida, Penido acompanhou a comemoração no vestiário e retornou ao Rio com a delegação alvinegra. Anos depois, contou detalhes daquela conquista e dos bastidores da cobertura.


A história resume bem a relação entre o jornalista e o clube. Penido era botafoguense, mas também conhecia a responsabilidade de exercer o jornalismo com profissionalismo.


Representante dos jornalistas esportivos

Além da atuação nas redações, Marcos Penido também participou da representação da categoria. Em 2014, foi eleito presidente da Associação de Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro, cargo que o colocou ainda mais diretamente na discussão sobre os desafios enfrentados pelos profissionais que trabalhavam na cobertura esportiva.


Ao longo da carreira, tornou-se uma figura conhecida não apenas pelas reportagens, mas também pelo relacionamento com colegas e profissionais do futebol.


Uma trajetória marcada por grandes histórias

A carreira de Marcos Penido atravessou diferentes épocas do futebol. Ele acompanhou nove Copas do Mundo, cobriu títulos brasileiros, trabalhou em grandes jornais e participou de uma investigação que revelou um esquema de manipulação de resultados.


Foram décadas dentro de redações, estádios, aeroportos, hotéis, centros de treinamento e concentrações, sempre em busca da próxima informação.


Sua trajetória também representa uma geração de jornalistas que tinha na reportagem de rua, na apuração e no contato direto com as fontes a base do trabalho profissional.


Homenagem do Botafogo

Após a notícia da morte, o Botafogo prestou homenagem ao jornalista e destacou sua importância para a cobertura esportiva. O clube lembrou que Penido era uma referência do jornalismo esportivo e, ao mesmo tempo, um torcedor apaixonado pelo Alvinegro.


A história de Marcos Penido fica marcada não apenas pelo número de Copas do Mundo que cobriu ou pelos prêmios que recebeu, mas principalmente pela dedicação à reportagem. Para uma geração de jornalistas esportivos, o “Penidão” deixa o exemplo de um profissional que passou a vida procurando histórias dentro e fora dos campos.