Flávio Bolsonaro deixa sabatina no Jornal Nacional sob pressão após perguntas sobre Banco Master
Candidato do PL defendeu o pai, prometeu respeitar o resultado das eleições e anunciou nome para a Saúde, mas teve declarações contestadas por checagens após a entrevista
A participação de Flávio Bolsonaro (PL) na sabatina do Jornal Nacional, na noite desta sexta-feira (28), foi marcada por momentos de tensão, principalmente quando o candidato foi questionado sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre seu pai, Jair Bolsonaro, que recebeu recursos ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Durante cerca de 40 minutos, Flávio também defendeu a anistia para condenados pelos atos de 8 de janeiro, criticou o governo Lula, atacou o ministro Alexandre de Moraes e afirmou que respeitará o resultado das eleições.
Apesar disso, a repercussão nas horas seguintes ficou concentrada principalmente nas respostas sobre o Banco Master e em declarações que foram classificadas como falsas, exageradas ou sem contexto por serviços de checagem.
Banco Master domina momento mais delicado
Questionado por César Tralli e Renata Vasconcellos sobre os recursos destinados ao filme “Dark Horse”, Flávio afirmou que o investimento de Daniel Vorcaro foi privado e negou que tenha existido qualquer contrapartida política.
O candidato afirmou que sua participação no projeto foi autorizar o uso de sua imagem e buscar investidores. Ao ser pressionado sobre a apresentação do contrato e dos detalhes da operação, respondeu que o documento não caberia a ele.
Flávio também declarou que a prestação de contas já havia sido apresentada e que uma perícia teria comprovado que não houve utilização de dinheiro público.
Entretanto, checagens publicadas após a entrevista apontaram que o material apresentado como comprovação não esclarece integralmente a origem dos recursos nem detalha documentos essenciais sobre a movimentação financeira do filme.
O episódio se tornou um dos principais pontos de desgaste da entrevista.
Flávio promete respeitar as eleições
Em outro momento importante, Flávio afirmou que respeitará o processo eleitoral e o resultado das urnas. A declaração ocorreu depois de ser questionado sobre a possibilidade de perder a eleição. O candidato, porém, afirmou que não acredita nessa possibilidade e disse que vai vencer no primeiro turno.
“Eu não vou perder essa eleição. Eu digo mais, vou ganhar no primeiro turno”, afirmou. Flávio também reconheceu ter cometido um erro ao dizer anteriormente que as urnas eletrônicas brasileiras seriam fabricadas por uma empresa venezuelana. Na sabatina, admitiu que havia falado equivocadamente.
Defesa de Jair Bolsonaro e anistia
A defesa do pai ocupou espaço importante na entrevista. Flávio afirmou que houve uma “grande farsa” para retirar Jair Bolsonaro da vida pública e negou que tenha ocorrido uma tentativa de golpe de Estado.
O candidato também prometeu conceder anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro caso seja eleito. Ao falar sobre os acontecimentos, Flávio afirmou que não havia sido encontrada nenhuma arma durante os ataques.
Pix e aquecimento global entram nas checagens
Entre as declarações mais questionadas após a entrevista está a afirmação de que o Pix teria sido criado durante o governo Jair Bolsonaro. O desenvolvimento do sistema começou no Banco Central em 2018, durante o governo Michel Temer. O Pix foi lançado em 2020, já durante o governo Bolsonaro.
Flávio também afirmou que não existe relação entre a atividade humana e o aquecimento global. A declaração foi contestada por especialistas e serviços de checagem, diante do consenso científico sobre a influência humana nas mudanças climáticas.
Outro momento controverso ocorreu quando Flávio foi questionado sobre as homenagens concedidas a Adriano da Nóbrega, ex-policial militar posteriormente apontado como integrante de organizações criminosas.
O candidato afirmou que, quando fez a homenagem, Adriano não tinha cometido nenhuma irregularidade.
Críticas ao governo Lula
Flávio utilizou diversas respostas para criticar o governo federal. O candidato responsabilizou o governo Lula por problemas econômicos e pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
Sobre a atuação do irmão Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, Flávio reconheceu que ele errou ao agradecer ao presidente Donald Trump pela aplicação das tarifas, mas afirmou que Eduardo não foi responsável pela decisão americana.
Novo ministro da Saúde
Flávio aproveitou a entrevista para anunciar uma escolha para seu eventual governo. O candidato afirmou que, se eleito, o médico Cláudio Lottenberg será seu ministro da Saúde.
Lottenberg é presidente do Conselho Deliberativo do Hospital Israelita Albert Einstein e possui histórico de atuação em diferentes governos. Durante a pandemia, também fez críticas à condução de questões relacionadas à Covid-19 pelo governo Jair Bolsonaro.
A “cola” na mão
Outro episódio que rapidamente viralizou nas redes sociais foi a presença de anotações na mão esquerda de Flávio durante a entrevista.
As palavras “Mudança”, “Futuro” e “7/set” foram identificadas na palma da mão do candidato.
O gesto chamou atenção porque reproduz uma estratégia já utilizada por Jair Bolsonaro durante campanhas anteriores. Em 2022, o então presidente também apareceu em entrevista ao Jornal Nacional com palavras escritas na mão.
O saldo da sabatina
A avaliação sobre o desempenho de Flávio Bolsonaro ficou dividida.
O candidato conseguiu manter uma postura controlada durante os questionamentos e apresentou algumas propostas, especialmente nas áreas econômica e de saúde.
Por outro lado, os momentos mais repercutidos depois da entrevista foram justamente aqueles em que teve maior dificuldade para responder diretamente aos questionamentos, sobretudo no caso do Banco Master e do filme “Dark Horse”.
As checagens também ampliaram a repercussão negativa, apontando problemas em diferentes declarações feitas durante a sabatina.
No campo político, Flávio deixou claro que pretende disputar a eleição mantendo os principais pilares do bolsonarismo: defesa do legado de Jair Bolsonaro, anistia para os condenados do 8 de janeiro, críticas ao Supremo Tribunal Federal e forte oposição ao governo Lula.
Ao mesmo tempo, ao afirmar que respeitará o resultado das urnas e ao apresentar nomes como Cláudio Lottenberg para seu eventual governo, projetou imagem de candidato mais institucional e preparado para assumir a Presidência.
A principal marca da sabatina, acabou sendo a dificuldade de Flávio em encerrar as dúvidas sobre o financiamento de “Dark Horse”. O assunto, que já vinha sendo explorado politicamente durante a campanha, ganhou nova visibilidade após a entrevista e deve continuar no centro da disputa eleitoral nos próximos dias.