Lago no Nepal transborda e interrompe operações de resgate após nova ameaça de inundação
Equipes de resgate e moradores foram obrigados a deixar áreas baixas e buscar proteção em terrenos elevados.
Uma nova emergência atingiu nesta sexta-feira (28) as regiões próximas à fronteira entre Nepal e Tibete. Um lago formado pelo acúmulo de água e detritos após a devastadora enchente de quarta-feira começou a transbordar, aumentando o risco de uma nova onda de inundação.
O alerta levou as autoridades nepalesas a suspender temporariamente as operações de resgate no distrito de Rasuwa. Equipes que utilizavam helicópteros foram retiradas das áreas consideradas perigosas, enquanto moradores deixaram as regiões mais baixas e correram para terrenos elevados.
O lago se formou depois que uma enorme quantidade de gelo, pedras, lama e outros detritos bloqueou o curso de um rio na região atingida pela enchente. Com a água acumulada, criou-se uma espécie de barragem natural que passou a representar uma nova ameaça para as comunidades localizadas rio abaixo.
Imagens aéreas analisadas pelas equipes de emergência mostram que o volume de água aumentou rapidamente. Estimativas divulgadas nesta sexta-feira indicam que o lago já acumulava mais de 2,5 milhões de metros cúbicos de água, acima do volume estimado no dia anterior.
A China também retirou equipes e veículos de resgate de áreas próximas ao lago, diante do risco de um rompimento mais amplo. Autoridades chinesas alertaram que uma nova onda poderia provocar inundações repentinas e novos deslizamentos nas regiões abaixo da barreira natural.
O perigo é ainda maior porque o terreno permanece instável. Além da possibilidade de uma nova enchente, as autoridades monitoram o risco de desmoronamentos e avalanches nas encostas das montanhas do Himalaia.
O desastre inicial aconteceu na quarta-feira (26), quando o colapso de uma geleira desencadeou uma enorme torrente de gelo, pedras, lama e água. A força da correnteza avançou pelos vales e destruiu comunidades, estradas, pontes e estruturas de energia entre o Nepal e o Tibete.
Os números de vítimas continuam sendo atualizados e apresentam diferenças entre os balanços divulgados pelas autoridades e pelas agências internacionais. O balanço mais recente divulgado pela polícia nepalesa apontava 469 mortos no país, enquanto a China confirmou cinco mortes no Tibete. Somados, os dois países registram mais de 1.500 pessoas desaparecidas.
Entre os desaparecidos estão centenas de estrangeiros. Muitos eram turistas, trabalhadores ou peregrinos que viajavam pela região em direção ao Monte Kailash, no Tibete. Índia, Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e Canadá estão entre os países com cidadãos desaparecidos.
As operações de resgate continuam enfrentando grandes dificuldades. Pontes e estradas foram destruídas pela enchente, enquanto áreas inteiras permanecem isoladas. Helicópteros são utilizados para transportar sobreviventes, localizar desaparecidos e levar suprimentos às comunidades atingidas.
No Nepal, equipes do Exército também trabalham para retirar pessoas presas em túneis de um projeto hidrelétrico atingido pelas águas. Centenas de trabalhadores e moradores já foram retirados de áreas de risco.
Apesar da nova ameaça, as operações de resgate foram retomadas depois que as autoridades avaliaram que o risco imediato havia diminuído. O monitoramento do lago continua sendo realizado para identificar qualquer nova elevação da água.
A situação permanece extremamente delicada. Caso a barreira natural se rompa completamente, uma nova quantidade de água e detritos poderá descer pelos rios e atingir regiões que já foram devastadas pela primeira enchente.
As autoridades nepalesas e chinesas mantêm equipes em alerta e recomendam que moradores permaneçam longe dos rios e de áreas sujeitas a deslizamentos. O objetivo agora é evitar uma segunda tragédia enquanto as buscas pelos desaparecidos continuam.