A impensável imortalidade do ser
A ficção cientifica na realidade do mundo quântico
Todos concordam, cientistas, esotéricos e poetas, de que nada é para sempre. As leis da Física garantem isso e, em particular, a segunda lei da termodinâmica, que nos indica governar o destino do Universo e dar sentido organizacional à desordem cósmica que nos cerca. É o processo da entropia, que aprendemos nas velhas aulas de física e química do segundo grau, que impõe a desordem da vida, onde galáxias afundam em buracos negros, estrelas viram poeira de carbono, motores de carros e aviões se desgastam, o envelhecimento nos encaminha à morte.
Tudo nasce, aumenta em massa e morre. Pelo menos é o que sabemos até poucos anos atrás, quando uma equipe de cientistas da Universidade Técnica de Munique e do Instituto Max Planck de Física e Sistemas Complexos anunciou que foi encontrada uma exceção à esta regra universal. Os pesquisadores descobriram que aquilo que parecia inconcebível em nossa experiência cotidiana pode estar acontecendo no misterioso mundo quântico, hoje tão explorado na literatura e no cinema de ficção científica. Estudos indicaram que lá existem criaturas estranhas chamadas “quase-partículas”.
Tais seres minúsculos e invisíveis têm a incrível capacidade de se desintegrar e renascer das próprias cinzas, assim como ocorreu com alguns super-heróis da Marvel na devastadora batalha dos Vingadores contra Thanos. A extraordinária descoberta foi publicada na revista britânica Nature Physics, onde é descrito o fenômeno como uma excitação coletiva que acontece dentro de corpos sólidos. Um exemplo é um elétron se mover dentro de um sólido e ter interações com muitos elétrons e núcleos atômicos, que também se movem.
O conceito de “quase-partículas” é do físico e vencedor do Prêmio Nobel, Lev Davidovich Landau. Ele cunhou para descrever estados coletivos de muitas partículas, ou melhor, suas interações devido a forças elétricas ou magnéticas, onde essas interações levam várias partículas a atuarem como uma só. Nas mitologias e nas artes temos universos repletos de seres poderosos, alguns imortais como as “quase-partículas”: Zeus, Javé, Rá, Netuno, Alá, Odin, Oxalá, Thor, Wolverine, Dr. Manhattan e Superman. Sem falar dos deuses do futebol; mas isso é outra história que estou preparando em livro há vinte anos.
Alex Medeiros